Casa do Noel pode virar embaixada
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Edmara Michetti 
Marcos BorgesPolêmicaA Casa do Papai Noel, às margens do Igapó: Codel admite que construção é irregular, mas não vê cabimento em derrubá-laO destino da Casa do Papai Noel em breve será definido. Entre as sugestões para uso do imóvel, a considerada mais interessante até o momento, é a utilização da casa como embaixada de Londrina. A idéia é defendida pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel).
Um dos preocupados com a ocupação da Casa do Papai Noel é o vereador Renato Araújo (PPB), líder do prefeito Antonio Belinati na Câmara. Ontem ele enviou pedido de informações sobre o destino da Casa do Papai Noel a Belinati. No pedido, o vereador também questiona se a construção da Casa foi autorizada pelo Legislativo, já que o imóvel está em fundo de vale. Nada justifica que o imóvel seja utilizado só durante o período de Natal, argumenta.
A resposta ao vereador deve chegar já no final da tarde de segunda-feira, quando o presidente da Acil, Abílio Medeiros Júnior e o presidente da Codel e vice-prefeito, Alex Canziani da Silveira, pretendem definir a questão. Canziani afirma que o prefeito Antonio Belinati já concordou com a proposta da embaixada de Londrina.
Mas o que é a embaixada de Londrina? Transformada em embaixada, a Casa funcionaria como um espaço para encontros de negócios com empresários de outras cidades. O lugar também seria usado para recepção de pessoas que visitarem o prefeito. Não temos um lugar na Cidade para levar essas pessoas e lá o próprio visual do Lago inspira o empresário a investir no município, defende Canziani. É o mais indicado para Londrina.
Quanto à irregularidade da construção, questionada pelo vereador Renato Araújo, o presidente da Codel afirma que não vê cabimento em derrubar o imóvel. A construção é totalmente irregular porque ali é o próprio vale, mas eu tenho dúvidas se valeria a pena derrubar, diz.
Medeiros Júnior argumenta que se a Casa do Papai Noel está irregularmente localizada, o Clube Alemão e o prédio residencial da Moro, ainda em obras, também estão. Primeiro que ali não é fundo de vale. E depois, o Clube e o prédio estão mais próximos do Lago do que a Casa do Papai Noel, justifica o presidente da Acil.
Segundo Medeiros Júnior, a Casa está a cerca de 70 metros distante do Lago Igapó. Ele afirma que, no final do ano passado, quando a Casa foi construída pela Acil, o projeto foi aprovado pela Secretaria Municipal de Obras depois de uma autorização da Secretaria Municipal de Administração.
Além disso, foi assumido um compromisso de destinar a Casa para incorporação ao patrimônio público, diz. A Acil não quer a Casa parada. O imóvel tem que servir à Cidade. A intenção, de acordo com Medeiros Júnior, é preservar o imóvel para as festas do próximo Natal, quando o local deverá ficar novamente à disposição da Acil.
A proposta da Fundação Cultural e Artística de Londrina (Funcart) para a Casa é a instalação de uma gibiteca. A idéia chegou a ser discutida numa reunião entre a Acil e a Secretaria Municipal de Cultura.
Apesar de ainda não ter sido descartada, essa idéia ficou para segundo plano. Diante da demora em se definir o destino para o imóvel, a Acil chegou a elaborar um calendário de uso aproveitando datas comemorativas como a Páscoa e o Dia das Crianças. A dificuldade para isso, segundo Medeiros Júnior, está na montagem e desmontagem do local na data da festa.


