Casa do Burro Brabo será preservada
Decisão judicial determinou tombamento do imóvel pelo Patrimônio Histórico; pedido havia sido feito há nove anos
Mauro FrassonSaudosismoAmbientalistas, intelectuais e representantes da comunidade querem ver a casa histórica do Bacacheri como era antigamenteVivian de Albuquerque
Completamente abandonada, a antiga e conhecida Casa do Burro Brabo, no Bairro do Bacacheri, em Curitiba, deverá ser restaurada em breve. O primeiro passo, que era conseguir o tombamento pelo Patrimônio Histórico, foi vencido no final de abril com uma decisão judicial. Agora, ambientalistas, comunidade e intelectuais, ‘‘brigam’’ para vê-la como era antigamente.
Há cerca de nove anos, a hoje extinta Sociedade Comunitária da Graciosa, entrou no Ministério Público com a solicitação do tombamento da casa de taipa (mistura de barro e madeira) que fica na Rua Erasto Gaertner. O resultado só saiu no dia 22 de abril, com um parecer da 3ª Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas, que determinou o tombamento imediato da casa.
Preocupados com o patrimônio, o próprio governo do Estado e a prefeitura já haviam tentado várias negociação com o proprietário da casa, a Oca Engenharia e Empreendimentos Ltda, sem maiores sucessos. O resultado foi a construção de um telhado provisório para conter a ação do tempo e da chuva sobre as ruínas.‘‘É um processo muito antigo e que só pôde ser resolvido judicialmente’’, explica Maria Luiza Marques Dias, coordenadora de patrimônio cultural do Estado.‘‘A casa já sofreu tanta deterioração natural e o proprietário não parecia ter interesse em restaurá-la. Só que agora, com o parecer da Justiça, ele vai ter que cumprir o que foi determinado, ou seja preservar o imóvel’’.
Os organizadores do movimento pró-Casa do Burro Brabo pretendem mais que a restauração. Considerando o espaço como um marco histórico do bairro, que já abrigou desde um bordel, até um plantador de hortaliças gigantes, eles querem transformá-lo num centro histórico e cultural. ‘‘Ela é da década de 1870 e representa muito para quem sempre viveu aqui, como eu, que já estou no Bacacheri há 30 anos’’, explica João Bello, conselheiro administrativo da Associação XAMA, uma das envolvidas no movimento. ‘‘Aqui poderiam ser feitas várias salas para aulas de teatro, música e dança. Por isso estamos tentando marcar uma audiência com o prefeito Cássio Taniguchi e a presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Margarita Sansone, para que eles negociem a casa com os proprietários destinando-a á cultura’’.
Procurados pela reportagem da Folha, os proprietários da OCA Engenharia e Empreendimentos não foram encontrados. Segundo o artigo 16 da Lei de Patrimônio Histórico, caso o proprietário de um imóvel tombado não dispuser de recursos para executar as obras de conservação, o próprio Estado se responsabilizará pelas obras, ou providenciará a desapropriação.

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