Casa de Custódia terá biblioteca
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Os detentos da Casa de Custódia de Londrina (CCL) devem ganhar até o final do mês de junho uma biblioteca. O projeto foi uma iniciativa da psicóloga da unidade, Eliane Marçal, que constatou a necessidade de diferentes atividades para reintegração dos presos na sociedade e teve apoio do Departamento Penitenciário do Estado (Depen). ''Os livros permitem que eles façam várias viagens diferente da realidade que vivem aqui'', contou Eliane. Atualmente a Casa de Custódia abriga cerca de 430 presos.
A biblioteca será montada em uma sala no fundo da cadeia, que era reservada para a barbearia, porém não era utilizada. ''Já limpamos tudo e colocamos várias prateleiras, além disso, vai ter uma mesa com cadeira'', explicou Eliane. Apesar do pequeno espaço, pouco mais de dois metros quadrados, a sala tem capacidade para receber 400 unidades. ''Se as doações ultrapasserem este número, há a possibilidade de fazer mais prateleiras um pouco mais altas'', disse a psicóloga. Ela também explicou que os detentos não deverão permanecer no local, mas só passar para escolher o livro.
Contudo, para a formação do acervo bibliográfico, Eliane pede a colaboração da comunidade com a doações de livros, revistas e até bíblias. ''Temos o projeto de catequisar os detentos e isso depende destas doações. Além disso, também temos a intenção de alfabetizar alguns presos e para isso precisamos de livros didáticos'', declarou a psicóloga. A campanha conta com o apoio das rádios Paiquerê AM, Alvorada, Universidade e da Paróquia Santa Rita de Cássia. Os interessados em contribuir podem levar os livros até a sede da Rádio Paiquerê AM, na Avenida Higienópolis, 2.100.
A inauguração da biblioteca também será sinônimo de trabalho para alguns dententos. Segundo Eliane, dois homens deverão ser responsáveis pelo local e para isso, eles receberão uma quantia que ainda não foi definida, além de aprenderem a catologar os livros. ''Gostava muito de ler, mas depois que entrei aqui fiquei sem acesso à leitura'', contou o preso Leocir Pessotti, de 28 anos. Ele será um dos responsáveis pela organização da sala. ''Com os livros não haverá tempo para pensar em briga, nem ficar falando do que passou.'' Até a manhã de ontem, 300 exemplares já haviam sido doados, entre eles alguns volumes de enciclopédias e vários gibis.
Segundo Eliane, os presos que possuem nível superior foram os que mais reivindicaram a biblioteca. Porém, muitos presos que fizeram o Ensino Médio não dispensam uma boa leitura. ''Fui preso quando estava terminando o curso de comunicação social. E sempre gostei de ler. Minha família traz alguns livros por semana e vou trocando'', disse o detento Emílio Mazza, de 21 anos. Ele contou que gosta de contos e romances. ''A ociosidade é muito grande aqui. Agora, poderemos ter um papo diferente.''
A psicóloga informou que desde a inauguração da cadeia, em 2001, já havia um espaço reservado para uma biblioteca, mas como a Casa de Custódia precisou de mais técnicos para atender os presos, a sala foi usada pelos funcionários.


