Casa de Custódia libera cigarro
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quinta-feira, 04 de julho de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A direção da Casa de Custódia de Londrina (CCL) acatou ontem a ordem judicial assinada em 25 de junho pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, e autorizou os presos a voltarem a consumir cigarro. A proibição partiu do Departamento Penitenciário do Estado (Depen) e vigorava desde 11 de abril desse ano, depois que os presos fizeram um motim no presídio. Ontem, o departamento derrubou a determinação para a Casa de Custódia, mas anunciou que irá recorrer da decisão.
Valdir Aparecido dos Santos, que responde a acusação por assalto, foi o primeiro fumante preso a receber cinco maços de cigarro e um isqueiro. Seu advogado, Edio Serafim dos Santos, entrou com um pedido para restabelecimento do direito de fumar, mas como a direção da CCL se recusava a cumprir a ordem judicial, a entrega foi feita pelo oficial de justiça da VEP, José Abrahão da Silva.
Questionado como estava o ''clima'' entre os presos por causa da medida antitabagista, Valdir disse que estava ''todo mundo no veneno (tenso)''. Ele divide a cela com outros quatro detentos, todos fumantes e, mesmo sendo orientado a guardar alguns maços, Valdir decidiu levar todos os maços para a cela, para ''fazer a festa'' com os companheiros. Cerca de 75% dos 320 presos da CCL são fumantes.
O diretor da CCL, major Edison Marcos Tomaz, informou que a partir da próxima visita, que acontece amanhã, os familiares dos presos fumantes já poderão entrar com cigarro e isqueiro ou fósforo. Ele afirmou que não acatou a determinação da VEP anteriormente porque seguia a determinação do Depen. ''Quem proibiu foi o departamento e quem poderia revogar era o mesmo órgão'', comentou.
Tomaz reclamou que a volta do cigarro é prejudicial e pode significar riscos para os presos. Ele voltou a lembrar que em caso de incêndio o caminhão dos bombeiros não tem acesso à carceragem, a aeração das galerias seria insuficiente para dissipar a fumaça tóxica liberada pela queima da espuma dos colchões que pode matar em cinco minutos e que o reservatório de água seria insuficiente para controlar as chamas.
A psicóloga do presídio, Sara Prates da Silva, disse que estava ''chorando por dentro'' por causa da volta do cigarro. Ela avaliou que todo o trabalho de concientização contra o cigarro que estava sendo desenvolvido com os presos será perdido.


