Casa de apoio tira meninas da rua
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de dezembro de 1997
Curitiba 
Kraw PenasAs meninas da Casa Madre Antônia, com a assistente social: vida novaO resgate das meninas prostituídas é raro e dificilmente elas conseguem abandonar as ruas a não ser por poucos dias. Sem ter concluído os estudos e rejeitadas pela família, as adolescentes acabam preferindo morar em pequenas pensões pagas com o dinheiro dos programas. Algumas já foram agredidas pelos clientes, já engravidaram de namorados e já experimentaram todo tipo de droga. Quando decidem deixar as esquinas e recebem algum tipo de apoio, não querem voltar a ir para o quarto com os homens.
Na Casa Madre Antônia, criada pela Prefeitura de Curitiba há algumas semanas para atender meninas que viviam nas ruas e faziam programas, há três adolescentes que foram convencidas pelos assistentes sociais a abandonar os mocós e bancos de praça.
Quero terminar meus estudos, fazer um curso de computação e comprar uma casa só para mim, diz Patrícia (nome fictício), de 16 anos. Fora da casa dos pais desde os 12 anos, ela já perdeu uma filha, morou em duas favelas, roubou, foi viciada em cocaína, fez programas com um punhal escondido embaixo da cama para se defender dos clientes. No começo eu morria de medo de ficar na rua durante a noite, mas com o tempo a gente se acostuma, diz.
Fabiana, de 16 anos, é um dos casos clássicos de prostituição infantil no Brasil. Surrada pela mãe e pelo padrasto, com quem morava em Paranaguá junto com seus sete irmãos, Fabiana fugiu de casa aos 11 anos, foi estuprada, pediu esmolas e até hoje conserva alguns problemas na fala provocados pelas pancadas que levou na cabeça. Quando chegou a Curitiba, morou no Terminal Guadalupe, onde cheirava cola, tentava cometer pequenos furtos e fazia programas. A cola não me deixava sentir fome, lembra. Abrigada na Casa Madre Antônia, Fabiana diz que nunca mais pretende sair de lá. A vida na rua é muito ruim, afirma. (C.P.)


