Em Londrina, outras instituições de saúde também mantém um serviço de acolhimento familiar para parentes e pacientes em tratamento. Uma delas é a Casa de Apoio do Hospital Universitário (HU), no Conjunto Café (zona leste), que recebe os parentes dos pacientes carentes. A casa foi fundada em 1980 e é mantida pela Associação dos Voluntários do HU (AVHU) e tem capacidade para quatro homens e seis mulheres, mas em algumas situações, chega a abrigar até 13 pessoas, acomodadas no sofá e em colchões.
Nesta semana, a procura está menos intensa e na segunda-feira (9) quatro mulheres estavam acolhidas na casa. Uma delas é a recicladora Suzana Maria Hack, que vive em Santo Ângelo, no noroeste gaúcho, a 1,5 mil quilômetros de Londrina. Suzana veio para acompanhar o filho, Cristiano, de 30 anos, que ficou tetraplégico após um acidente sofrido há um mês. Ele está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HU, ainda sem previsão de alta.
A recicladora chegou a Londrina antes do Natal, alguns dias depois do acidente. Passou o final de semana na casa de uma amiga do filho e no início da semana seguinte procurou abrigo na Casa de Apoio. "Esse acolhimento é muito importante. Vou ao hospital visitar meu filho duas vezes por dia e entre uma visita e outra é bom ter um lugar para descansar. Aqui na casa, além de fazer amigos, um dá força para o outro", disse Suzana.
Déborah Simone de Oliveira veio de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro) com a filha e está há cinco dias na Casa de Apoio. Elas se revezam nos cuidados com o pequeno Samuel, de 1 ano e 3 meses, que ingeriu produto químico no último dia 31 de dezembro. "Como meu neto ainda mama, a minha filha passa as noites com ele no hospital e eu fico durante o dia. Enquanto uma está lá, a outra descansa. Esse serviço é muito importante porque a gente não é daqui, não conhece nada e viemos sem nada também."
Na casa, os acolhidos têm garantidos locais para banho e descanso, recebem café da manhã, almoço e jantar e podem usar a cozinha quando quiserem. Além da estrutura básica, eles ainda contam com os ouvidos e ombros da auxiliar de serviços gerais Maria dos Anjos Tavares, que faz muito mais do que a limpeza e o preparo dos alimentos. "Estou aqui há cinco anos. Conheci gente de Mato Grosso, Rondônia e outros lugares dos quais nunca tinha ouvido falar. A gente escuta, apoia, tenta ajudar e acaba fazendo amizade com as pessoas como se elas fossem da família. Dá uma saudade das pessoas que passam por aqui", disse.
"A Casa de Apoio é um braço da AVHU, que assiste os pacientes de várias formas. Doamos cestas básicas, roupas e acessórios como muletas, coletes e cadeiras de rodas a pacientes que não têm condições de comprar", ressaltou a presidente da associação, Alexsandra Pereira Balestra. A AVHU também serve, todos os meses, 1,6 mil lanches a acompanhantes de pacientes que não se encaixam nos critérios de recebimento definidos pelo hospital. "Aqui na Casa de Apoio tem fila de espera. Tem semanas que não conseguimos atender toda a demanda e priorizamos os atendimentos", disse Alexsandra. (S.S.)

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