Casa da Memória preserva história de madre Leônia
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sexta-feira, 17 de março de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Para quem conheceu e conviveu com madre Leônia Milito, entrar na Casa da Memória que leva o nome dela é como reviver o passado. Para os que apenas conhecem a história de luta dessa irmã, impossível não querer saber mais. A casa onde viveu madre Leônia se transformou numa espécie de museu, onde estão preservados todos os detalhes do trabalho e da vida da religiosa, morta tragicamente, aos 67 anos, num acidente de carro em 22 de julho de 1980.
Em 350 metros quadrados de construção, a casa mantém o mesmo estilo arquitetônico, com pequenas modificações, entre elas a construção de um auditório. No restante, os 20 cômodos apresentam detalhes que demonstram a simplicidade da mulher que dedicou a vida aos pobres. A Casa da Memória, localizada na Avenida Madre Leônia Milito, no Parque Guanabara, será inaugurada hoje, às 17 horas.
Na sala, além da mobília de couro vermelho, armários e os trabalhos manuais feitos por ela, a revelação de uma grande paixão: a música. A coleção de discos eruditos, o piano que ela fazia questão de tocar todos os dias, o rádio e uma antiga radiola. O detalhe: as freiras que trabalhavam com ela eram acordadas com música e sabiam de sua chegada de alguma viagem quando uma canção suave ecoava na casa.
No quarto com três ambientes, a cama simples, a pequena cômoda, onde estão pequenos pertences, a imagem dos pais, Grabriele Milito e Maria Grisi Milito, e e um oratório. O banheiro continua preservado inclusive com objetos pessoais da freira. No roupeiro, os hábitos usados pela irmã, sapatos, malas e a frasqueira com objetos higiênicos que ela carregava no dia do acidente.
A sala de jantar preserva móveis, persianas, toalhas, talheres e louças usadas pela irmã, da mesma forma da cozinha, onde estão a mesa, o fogão e a geladeira. No escritório, a escrivaninha com as cartas recebidas de vários países, o armário e uma biblioteca com centenas de títulos, entre os preferidos, os franceses.
Mas era a capela, preservada exatamente como ela deixou, o lugar preferido de madre Leônia. Nesse local, todos os dias, às quatro horas da manhã, ela se ajoelhava para rezar. E rezava por horas. A cadeira, última da fila, ao lado de um harmônio (espécie de órgão), era o lugar escolhido por ela para meditar.
Quem nos conta esta história, acompanhando nossa visita, é a companheira de trabalho e de vida, irmã Ana Bruscato, superiora geral da Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret. Durante cinco anos, ela trabalhou como secretária de madre Leônia. Muito emocionada, ela revela que a casa foi preservada por um pequeno grupo de voluntários. ''Foi um trabalho de dedicação, de amor, que resultou num lugar especial.''
É irmã Ana quem ressalta as qualidades da freira, que dedicou a vida aos pobres, criando em 1958, com ajuda de dom Geraldo Fernandes, então bispo de Londrina, a fundação que hoje estende o trabalho aos cinco continentes. São 16 países beneficiados pela dedicação de mais de 700 religiosos. ''Esses missionários tiveram como exemplo o trabalho de total dedicação aos pobres. Ela era uma mulher corajosa, que carregava com si a sabedoria, a fortaleza e a mansidão que vem de Deus'', afirma.
Para ela, a casa hoje é uma espécie de ''santuário'', que guarda o registro do nascimento de um trabalho que continua se desenvolvendo. ''É uma relíquia. Tudo foi preservado do jeito que ela deixou. Podemos chegar aqui, vê-la e senti-la de novo''. Mais do que o valor histórico a casa abriga valores espirituais, tamanha a virtude de madre Leônia''.


