Curitiba Entre 1934 e 1937, o então perito contador Augusto Gonçalves de Castro começou a construir um sonho de sua vida: morar em uma casa com arquitetura inspirada na estrela de cinco pontas, símbolo do esperanto, língua criada no fim do século 19 com objetivo de se tornar um idioma universal. Sessenta e nove anos depois, a casa, provavelmente sem similar em todo mundo, está sendo desmontada e remontada nas dependências da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), que ficará responsável por sua manutenção.
A Casa da Estrela, como é conhecida, foi doada à universidade por um dos herdeiros, Moysés Azulay de Castro. Ela será usada como espaço cultural e laboratório acadêmico, vinculado à disciplina de Técnica de Restauro do curso de Arquitetura e Urbanismo. Segundo o professor Cláudio Maiolino, que coordenará o processo de transferência da casa, a montagem e desmontagem estão orçadas em R$ 150 mil. Todo processo demorará cerca de um ano e meio.
''É um exemplar magnífico pela parte fabril da casa'', diz Maiolino, explicando que o imóvel é todo feito com encaixes artesanais, constituindo-se em um importante exemplar das casas de madeira, típicas do Paraná. Entusiasta do esperanto e adepto da Teosofia filosofia mística e pacífica Castro construiu a casa praticamente sozinho. Moysés conta que o pai trabalhou quatro anos na obra. ''Ele trabalhava de dia, e depois do expediente trabalhava na construção até umas duas da madrugada'', diz. Naquele tempo não havia luz elétrica e tudo era feito sob a luz de um lampião.
A arquitetura segue a filosofia do esperanto, língua criada pelo médico polonês Ludovico Zamenhof, cujo ideal era ter uma língua que fosse conhecida por todos os povos. A obra segue o desenho-símbolo do esperanto, a estrela de cinco pontas, que significam os cinco continentes. Todos os cinco cômodos, por sua vez, dão para um espaço comum, o local da convivência, no meio da casa, onde, segundo a teoria do esperanto, todos os povos viveriam fraternalmente. A obra possui 178 metros quadrados, pé direito de dois metros e meio, corredores e quartos que se cruzam por meio de aberturas.
Chuva A desmontagem da casa começou anteontem, com o destelhamento. Para azar da equipe da PUC-PR, no entanto, depois de um período de quase seis meses sem chuva em Curitiba, choveu forte na Capital na noite de ontem, e todo interior da casa acabou sendo molhado. ''É uma situação crítica e inadmissível. Todo dia a televisão mostra como será o tempo. Eles não viram a previsão era de chuva?'', questionava Moysés, preocupado com a possibilidade da universidade conseguir reconstruir a casa.
Segundo o professor Maiolino, a casa já estava bastante avariada em função de goteiras e infiltrações que ocorreram nos últimos anos. A casa foi coberta com um plástico ontem e só os trabalhos de restauração só serão feitos depois que a madeira secar.

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