Curitiba - Uma casa onde tudo foi projetado para evitar que a criança sofra qualquer acidente doméstico. É assim a Casa Segura Itinerante, inteirinha mobiliada e montada dentro de uma carreta. Trata-se de um projeto da Ong Criança Segura e da Johnson & Johnson, montado para a 3 Semana Criança Segura promovida no Brasil, com objetivo de conscientizar as pessoas sobre os riscos de acidentes com crianças dentro de casa e as formas de evitá-los. Como reforço à sua ação, a semana aponta dados alarmantes: em 2003, cerca de 6 mil crianças até 14 anos de idade morreram vítimas de acidentes domésticos ou de trânsito.
A Casa Segura está exposta até hoje no pátio de um supermercado de Curitiba, aberta para visitação de pais e filhos, que recebem no local instruções sobre riscos de acidentes domésticos, na rua, no carro e até no parque.
O projeto reproduz uma casa em tamanho real. São 60 metros quadrados, com todos os cômodos de uma casa normal: sala, quarto, cozinha, banheiro, área de serviço, terraço e até calçada. ''A casa foi pensada levando em conta a realidade de uma família. Há alternativas desde não criar quina em móveis, ou comprar uma quina protetora'', explica o arquiteto Marcelo Molla Narar, responsável pelo projeto.
Se a casa é em tamanho natural e as situações de perigo para a ocorrência de acidentes domésticos são evidenciadas e amplificadas. Segundo a coordenadora regional no Paraná da Criança Segura, Alessandra Françóia, vários objetos que oferecem perigo, como uma panela sobre o fogão, um ferro elétrico e tomadas, por exemplo, foram feitos em tamanho gigante para chamar a atenção de pais e crianças sobre os perigos. Alessandra ressalta que além de medidas simples, e da atenção constante, é importante evitar que as crianças entrem na cozinha. É lá que acontecem cerca de 60% dos acidentes domésticos. O banheiro também deve ter a porta fechada. ''Criança sempre tem uma atração por água'', diz.
''O arquiteto tem que ter bom senso e conhecimento do que uma criança pode fazer dentro de casa, e assim pensar em coisas que oferecem perigo, como quinas, janelas'', diz Molla. Como exemplo, ele cita as mesas de centro, que não devem ser de vidro e nem ter pontas que podem machucar. Outra preocupação, segundo ele, são as estantes de TV. ''Geralmente, o móvel tem pontas que ficam na altura da testa de uma criança pequena'', alerta.
Na construção, de acordo com ele, há situações que podem ser prevenidas. O guarda-corpo da varanda, por exemplo, não pode ser projetado de forma a não se tornar, posteriomente, uma escada onde a criança poderá subir e cair. As maiores dicas de segurança, no entanto, referem-se ao mobiliário. E o mercado oferece uma grande gama de produtos que ajudam na prevenção de acidentes. Um item bastante útil é a trava interna de gavetas, que impede a abertura das mesmas, evitando com isso que a criança faça uma escada com o móvel. Outros itens esenciais à segurança são protetores de tomada e rede proteção, que deve ser instalada nas janelas e sacadas.
Janelas, aliás, são um componente da casa que merecem atenção especial. Além de redes, deve-se evitar, sempre, a colocação de móveis, como sofás ou camas embaixo da janela. ''O móvel vai acabar servindo de trampolim para a criança subir'', diz Molla, que teve a experiência, quando seu filho tinha três anos, de encontrá-lo totalmente sobre a janela. ''Só não me desesperei porque tinha tela protetora'', conta.
Alessandra lembra, ainda, que nem sempre as soluções envolvem gastos financeiros. Às vezes, segundo ela, um esparadrapo sobre as tomadas tem o mesmo efeito que um protetor.

Serviço:
Em Curitiba, a casa móvel ficará aberta à visitação até o dia 29, sempre entre às 13 e 20 horas, no estacionamento do Supermercado BIG (Avenida das Torres, BR 116, 10.000).

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