Casa, comida e lugar para descanso
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
A necessidade de sair cedo de casa e viajar quilômetros para uma consulta ou tratamento médico é bem cansativa. Diversas pessoas rotineiramente passam por isso, já que os pequenos municípios não têm condições de oferecer tratamentos mais complexos. Para aliviar um pouco a rotina desses pacientes existem diversas casas de apoio em Londrina, mantidas pelos hospitais, ONGs e municípios vizinhos.
A estudante Lenir Soares da Silva precisa de deslocar de duas a três vezes por mês de Lupionópolis (Norte) para se consultar ou trazer as filhas de 9 e 5 anos ao médico ou dentista. Recentemente, ela ficou na casa de apoio que seu município oferece e gostou bastante.
''Da última vez que vim estava sendo inaugurada. Hoje já fiquei mais tranquila. Me senti como se estivesse em casa, a comida é bem gostosa e o melhor que economizo com alimentação. Além disso, para quem vem com criança é muito melhor ter um local para ficar'', avalia. Raine e Raiara terminavam o almoço já de olho no quarto de brinquedos, onde poderiam passar o tempo até o transporte para Lupionópolis chegar.
A aposentada Elza Nunes Turozi também estava na casa pela primeira vez. ''Vim acompanhar minha filha e meu neto pequeno. Achei muito bom o espaço, dá para dar banho nas crianças, a gente pode tomar um lanche. Antes era bem ruim, porque tínhamos que ficar sentados na rua esperando a hora do atendimento'', explica.
Maria Janete da Silva Sávio, funcionária pública, aproveitava para fazer crochê enquanto esperava pelo horário da consulta. ''Faço tratamento com o cardiologista então preciso vir sempre para Londrina. Acho uma maravilha poder ficar aqui, via muita gente que não tinha dinheiro para comer e precisava pedir emprestado. Viajamos cedo, o primeiro ônibus sai às 5 horas e às vezes precisamos ficar até a tarde. Aqui tem água fresca, suco, podemos fazer um lanche'', destaca.
A Casa de Apoio de Lupionópolis foi inaugurada no início de novembro, e atende em média 30 pessoas diariamente. Na casa, localizada próximo ao Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), os pacientes podem tomar café, almoçar e também tomar o café da tarde. Além disso são disponibilizadas camas para repouso e também banheiros com chuveiro. Lençois, toalhas e até fraldas são fornecidos pela Casa. As funcionárias Tânia Barroso e Daiana Manoel Vieira contam que já serviram 48 refeições em um dia e o cardápio segue as recomendações da nutricionista, com pouco sal e nada de frituras. Para as crianças ainda estão disponíveis uma sala com brinquedos.
Eudes Cavallari Junior, chefe do setor de Saúde Pública de Lupionópolis explica que como o município não tem condições de oferecer várias especialidades, já que são onerosas para o município, a Casa de Apoio é uma forma de minimizar o sofrimento de quem precisa procurar atendimento fora. ''Gastamos cerca de R$ 6 mil mensais com aluguel, funcionários, alimentação e todo o material. A casa fica aberta de segunda a sexta-feira e agora os pacientes não precisam se preocupar se não têm dinheiro para comer nem em ficar o dia todo na rua'', ressalta.


