Há pelo menos duas décadas, a dona de casa Alessandra Costa Vidal, 49, se sensibiliza com os animais vítimas de maus-tratos, atropelamentos e abandono. E a forma que ela encontrou de ajudar todos esses cães foi levando-os para casa, ofertando condições mínimas para a sobrevivência como comida e acompanhamento veterinário.

Atualmente, ela abriga cerca de 60 cães em sua residência, na zona oeste de Londrina, e utiliza dos próprios recursos para comprar remédios e pagar algumas consultas veterinárias. Já para a ração, recebe doações e vende rifas esporadicamente. Mas na manhã desta segunda (20), Vidal recebeu uma ajuda diferente de 180 alunos do curso de medicina veterinária da Unifil.

Eles organizaram um verdadeiro mutirão, recolhendo todo o lixo, limpando as casinhas dos animais e doando medicamentos, além de camas com pneus reciclados, comedouros, bebedouros, coleiras e 200 quilos de ração. Todos os animais foram higienizados com banho, corte de unhas, limpeza de orelhas e receberam vermífugos.

Na ação, a maioria era estudantes que ingressaram este ano no curso. “Nunca tinha vindo em um lugar com tantos cães assim. É uma experiência nova, um trabalho voluntário que é importante para eu me desenvolver moralmente também”, diz a estudante Rebeca Vernillo.

Esta é a sétima edição do Trote Solidário. A professora e coordenadora do curso, Suelen Córdova Gobetti, explica que os próprios alunos fazem uma seleção dos cuidadores de animais que precisam urgentemente de ajuda. “Tivemos uns dez casos e a casa da Alessandra foi selecionada para receber as benfeitorias”, comenta.

Ela diz que para os estudantes esta prática os leva a trabalhar de forma integrada e a compreender o papel da profissão no âmbito de saúde pública. “Também é uma forma de devolvermos para a sociedade o que aprendemos na faculdade. Estamos dando um apoio a essa cuidadora porque ela não consegue fazer isso tudo sozinha”, ressalta.

ABANDONO

“No início, eu trazia o animal para casa, cuidava até que ele fosse adotado. Mas com o tempo, essa história foi virando uma bola de neve porque ninguém quer adotar aqueles que estão velhos, mutilados”. O relato de Alessandra Vidal reflete uma realidade que os municípios enfrentam há tempos com a população de animais de rua. Há uma preocupação em toda a sociedade do ponto de vista de zoonoses e dos cuidados que necessitam. Em Londrina, a estimativa da prefeitura municipal é de que 50 mil animais estejam abandonados.

Na residência da cuidadora, praticamente todos os cães possuem alguma história anterior de maus tratos e abandono. De acordo com a veterinária Gobetti, “a maioria é de grande porte, sem raça definida e com mutilações. Isso, infelizmente, não é do perfil de adoção, que é basicamente filhotes, peludos e de pequeno porte”.

mockup