As mulheres fisicamente violentadas pelos maridos terão uma casa-abrigo para se recuperar da agressão. O projeto é da Coordenadoria Especial da Mulher (CEM), que manterá o endereço da casa em sigilo permanente como garantia de proteção às mulheres. A casa, que deve começar a funcionar no segundo semestre, entrará em reforma nos próximos dias.
A chefe da Coordenadoria, Cleide Camargo, explica que, por falta de espaço e recursos, a casa-abrigo atenderá somente as mulheres violentadas que correm risco de vida e não têm para onde ir. O foco principal de atendimento serão os casos de lesões corporais graves e tentativa de homicídio.
Estatísticas do Centro de Atendimento à Mulher (CAM), ligado ao CEM, revelam que em 96 foram atendidas 693 mulheres violentadas. Dessas, 261 sofreram agressões físicas - cárcere privado e abandono material, além de lesões corporais e tentativas de homicídio. O último levantamento do CAM é de março, quando foram registrados nove casos de violências com ameaças; cinco de torturas psicológicas; dez lesões corporais com espancamento e nove abandonos.
A capacidade da casa abrigo será de 50 vagas - sendo dez mulheres e seus filhos. A média considerada pela CEM é que cada mulher tenha quatro filhos. Elas passarão em média 90 dias na casa. Nesse período, terão acompanhamento psciológico, jurídico e poderão participar de cursos profissionalizantes. Uma segunda etapa do projeto prevê convênios para dar encaminhamento ao trabalho.
Para evitar contato com o agressor, os filhos serão encaminhados a creches próximas do local. As crianças em idade escolar serão temporariamente transferidas para uma escola das proximidades. O projeto terá o envolvimento da secretarias de Ação Social, Educação e Autarquia do Serviço Municipal de Saúde.
A casa foi doada por um empresário da Cidade. Serão investidos aproximadamente R$ 38 mil na reforma. O dinheiro já está disponível e o início das obras depende da disponibilidade de serviço da Secretaria de Obras. A Secretaria Estadual da Criança e Assuntos da Família repassou R$ 26,94 mil. Outros cerca de R$ 19 mil estão sendo liberados pela Prefeitura. A reforma deve estar pronta no final de maio. Do total, Cleide espera que sobrem aproximadamente R$ 9 mil para a compra de móveis e utensílios para equipar a casa.
A manutenção está orçada em R$ 135 mil anuais, entre comida, higiene e manutenção do imóvel e pessoal. Cleide explica que, apesar de não serem feitas novas contratações, nem deslocamento de funcionários para a casa-abrigo, os trabalhos prestados são computados como custos do programa. O custo com pessoal, segundo ela, está orçado em R$ 49 mil anuais.

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