Sofrer violência até não suportar mais. Depois, ter coragem de buscar uma alternativa e recomeçar, dessa vez sem violência. Foram isso que fizeram algumas mulheres que agora moram na Casa Abrigo, em Londrina. O lar foi inaugurado em maio deste ano. Atualmente está atendendo 25 pessoas. A secretária municipal de Mulher, Marcia Maria Lopes Souza, disse que não esperava uma procura tão grande pelo serviço.
''Precisamos preservar as mulheres que já sofreram tanto'', argumenta Marcia. O abrigo é específico para mulheres vítimas de violência doméstica que não tenham para onde ir. Os filhos dessas mulheres também ficam na casa. Marcia ressalta que não pode ser divulgado o local nem se ter acesso ao abrigo para assegurar a segurança dos moradores.
No abrigo, as mulheres fazem cursos e oficinas para aprenderem um ofício que possibilitem ter renda para se manter fora da casa. ''Para nós o mais interessante é que as mulheres deixem o abrigo o mais rápido possível. Isso prova que nós estamos cumprindo a nossa função de reinserção social'', esclarece Marcia. ''Queremos que o abrigo sirva para melhorar a qualidade psíquica e social da mulher.''
''As leis no Brasil não punem de maneira correta, quem deveria sair de casa é o agressor e não a mulher vítima'', afirma a psicóloga do Centro de Atendimento à Mulher (CAM), Cleusa Casarin Andrello. Ela contabiliza que apenas um terço das mulheres que sofrem violência procura ajuda. Vergonha e medo das ameaças do agressor estariam entre os fatores que fazem com que a mulher não procure alternativa para livrar-se da violência.
Segundo Cleusa, o CAM atende mulheres que passaram 10, 15 e até 20 anos sofrendo violência. ''A mulher só busca ajuda quando não aguenta mais'', ressalta.
Não há um perfil das mulheres que sofrem violência nem um perfil dos agressores, analisa Cleusa. Fatores culturais como a tradição de o ''homem ser o cabeça da família'' contribuem para que as histórias de violência se repitam. '' Muitas vezes tanto a mulher quando o homem vêm de situações em que a mãe deles sofria violência do pai. A siuação se repete até o ciclo ser quebrado,'' declara.
Marcia orienta que as mulheres que sofrem violência devem procurar ajuda. O CAM faz o encaminhamento para o órgão competente de acordo com o tipo de problema.

Serviço: O CAM funciona na Rua Silvio Pegoraro, 251, das 8h30 às 17h30. O telefone é (43) 3341-2312.

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