Cartório é acusado de negligência
Lúcio Flávio Moura
Enviado a Rolândia
Vítimas de uma quadrilha de golpistas, os irmãos Elizeu e Edenílson de Almeida, estão denunciando um cartório de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) por negligência na regularização da escritura de um terreno no bairro Alto da Boa Vista, área nobre da cidade.
O Tabelionato Grassano Gouveia teria elaborado a escritura com base em documentação falsa de duas pessoas, (que se fizeram passar por proprietários do terreno), além de ter respaldado a compra do imóvel pelas vítimas.
Os falsários estão foragidos e o inquérito deve ser remetido para a Polícia Civil de Londrina, onde fica a agência bancária na qual o cheque das vítimas foi depositado. Este depósito teria sido feito por um corretor de Cambé que ofereceu o imóvel (inicialmente por R$ 12 mil, considerado o valor de mercado) aos irmãos, depois de ter comprado havia poucos dias da antiga proprietária. Ele se apresentou como sendo Célio Garcia da Silva, 33 anos.
O caso é inédito na cidade, segundo informou o delegado de Rolândia, Antônio do Carmo, que começou a apurar a denúncia, e o acusado da negligência, Fernando Grassano Gouveia, 30 anos, oficial do tabelião que trabalha há 19 anos na área.
Me senti lesado por acreditar no serviço deles, que é dar fé de uma documentação para o cliente, diz Elizeu, 36 anos, empresário na área de construção que pagou junto com o irmão, o jornalista Edenílson de Almeida, 29, cerca de R$ 9 mil pelo terreno de 395 metros quadrados, na esquina das ruas Antenor Ferri com Castelo Branco.
O terreno é de propriedade da auxiliar de enfermagem Mariza Correia, 43 anos, que já está solicitando, junto ao Ministério Público, a anulação da escritura. A auxiliar de enfermagem, que reside na capital paulista, também está insatisfeita com o serviço do cartório e promete pedir à Justiça a reposição dos custos da anulação da escritura.
Os irmãos Almeida também pretendem entrar com uma ação indenizatória contra o cartório. Eles querem que a Justiça condene o tabelionato a pagar, além do valor pago pelo terreno, os honorários dos advogados e os gastos com o início das obras da casa que seria construída no terreno.
Um cartório vende confiança, não pode cometer um erro grosseiro como este, afirma Edenilson que, como o irmão, acredita que não houve má-fé por parte do cartório.
Grassano não reconhece o erro e diz que também foi enganado por estelionatários que agiram com extremo profissionalismo e frieza no momento em que procuraram o cartório.
O tabelião, que fez uma série de cursos para reconhecer documentação fria, lembra que a Carteira de Identidade e Cadastro da Pessoa Física da falsa Mariza Correia e do suposto Célio Garcia da Silva pareciam originais, além das idades baterem com as aparências. Infelizmente não há um meio de consulta absolutamente eficaz para verificar a autenticidade destes documentos, sustenta.
Segundo Grassano, os dois falsários foram ao cartório se passando como comprador e vendedor, acompanhados de uma terceira pessoa, que também seria de Cambé e estaria intermediando a venda. O falso Célio teria concretizado o negócio e poucos dias depois repassado o imóvel, com escritura fria, para os irmãos Almeida.





