Cartões, senhas e nervos à flor da pele
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terça-feira, 07 de agosto de 2001
Vânia Moreira 
Um sentimento de saudosismo está tomando conta dos clientes da agência do Banestado, em Umuarama. Apesar da modernização, tem gente que hoje se surpreende dizendo sentir falta do velho Banco do Estado do Paraná. A saudade foi provocada pelos problemas gerados com a troca de bandeira para o Itaú, ocorrida na cidade, no segundo fim de semana de julho. Os cerca de 15 mil clientes da agência iniciaram a segunda-feira com um novo número de conta bancária, muitos sem nem saber da mudança. Durante as semanas seguintes, a agência virou um caos.
Filas intermináveis, contas e cartões bloqueados, pagamentos extraviados, funcionários confusos, clientes com os nervos à flor da pele e muito bate-boca se tornaram as cenas mais comuns no interior do banco. Alguns clientes reclamaram de contas canceladas sem aviso prévio, outros do mau humor e despreparo dos funcionários, da demora no atendimento. A grande maioria não conseguia utilizar os caixas eletrônicos, ou porque não sabiam operar as máquinas ou porque os cartões não eram aceitos. Os dois funcionários encarregados de orientar o pessoal nos caixas não davam conta de tantos chamados.
Muitos clientes passaram até quatro horas nas filas para tentar resolver problemas. Duas ou três horas também era o tempo de espera no setor de recadastramento de contas, instalado no Centro Empresarial Piemont. Muitos clientes mais esquentados se indignaram e cancelaram suas contas, dispostos a migrar para outros bancos, dizendo que sentiam saudades do Banestado.
Agora, os problemas e as filas diminuíram, mas os clientes ainda enfrentam transtornos. Um deles, a extensa fila nos caixas eletrônicos. O Itaú se defende. Os gerentes garantem que as coisas vão se normalizar dentro de 60 dias e prometem um atendimento aos clientes melhor que o do antigo Banestado. Eles argumentam que o banco tomou todas as precauções para não complicar a vida da clientela, mas toda mudança gera transtornos e insatisfações.
O maior problema teria sido a dificuldade dos clientes em utilizar o auto-serviço, cujo sistema é bastante diferente do Banestado. Segundo os gerentes, o banco não cancelou nenhuma conta, os cartões do Banestado continuam valendo por tempo indeterminado e, para utilizá-los, bastava cadastrar uma nova senha no auto-atendimento.
O banco também contesta as reclamações de que reduziu o número de funcionários. Os gerentes afirmam que a agência está com mais funcionários e mais caixas do que quando era Banestado. Os gerentes garantem que o banco tem interesse em conservar toda a clientela do Banestado, inclusive os aposentados e funcionários públicos. Quem tiver paciência para passar pelo estresse do recadastramento de senhas, contas e outras provações tem a promessa de contar com um banco mais moderno e eficiente que o Banestado, sem distinção entre pequenos e grandes clientes. Resta esperar para conferir.


