A Polícia Federal de Londrina recebeu ontem uma cartilha sobre assédio sexual contra crianças. Segundo o delegado-chefe do órgão na Cidade, Roberto Morel, trata-se de um guia prático - com o título ‘‘O Toque’’- que mostra como as crianças devem se prevenir e reagir diante das situações de assédio. Mostra primeiramente o que a criança deve saber, evidenciando que o seu corpo lhe pertence e que possui o direito de dizer não a qualquer um que queira lhe tocar.
‘‘Você pode vir bem perto de mim, se meu corpo disser que você pode’’, é o encerramento de uma parte dos 12 tópicos que mostram o que é o ‘‘toque’’ bom ou ruim para a criança. A cartilha possui 14 páginas com ilustrações e questionários para as crianças. A abordagem do assunto é direta e busca não só alertar, mas também fazer a criança reagir diante do assédio. ‘‘Gritar e fazer muito barulho; dizer pare, senão eu vou contar; tentar fugir; morder a pessoa; chutar ou unhar a pessoa’’.
A cartilha deverá ser distribuida gratuitamente em todo o Brasil pela Polícia Federal no segundo semestre deste ano. ‘‘Nossa polícia (Federal) se alia aos esforços da comunidade internacional pela dignidade do indivíduo. Este guia destina-se ao mais indefeso dos ciadadãos brasileiros: a criança’’, afirma Morel. Em Londrina não existe uma estatística do número de casos de atos libidinosos e estrupos contra crianças. A maioria dos casos ficam somente na esfera policial e a vítima não chega a receber assistência psicólogica e acompanhamento. O atendimento fica limitado ao exame de corpo delito feito no Instituto Médico Legal, que servirá depois para incriminar na Justiça o acusado.
Levantamento feito pela 10ª Subdivisão Policial indica que a maioria dos casos de assédios, atos libidinosos e estupros praticados contra crianças londrinenses ocorrem nas classes mais pobres e envolvem os familiares. Existem registros também envolvendo pessoas da classe média e alta, mas com índices bem mais baixos, pois os envolvidos buscam esconder os casos. O delegado Morel chamou a atenção que um dos principais motivos deste tipo de violência são a miséria que gera a promiscuidade e o alcoolismo.
Morel disse que a cartilha servirá principalmente aos professores que poderão avaliar a situação de seus alunos. No entanto, complementou, o guia de nada servirá se toda toda a sociedade não se unir para tentar resolver o problema.

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