Cartilagem de tubarão volta a causar polêmica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de julho de 1998
Adriana Ribeiro 
A polêmica sobre a cartilagem de tubarão volta à tona com a descoberta em São Paulo que o produto fabricado pelo laboratório Mosteiro Devakan Ltda possuía farinha em sua composição. De acordo com laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), do Ministério da Ciência e Tecnologia, essa cartilagem teria 91,2% de carboidratos.
A chefe da Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual da Saúde, Maria Aida Rezende, disse que a cartilagem de tubarão está na mira dos órgãos de saúde desde que foi lançada no mercado, há cerca de dois anos. Desde então vem sendo realizadas constantes fiscalizações para apreender o produto que é vendido como medicamento. De acordo com o Ministério da Saúde, esse tipo de produto só pode ser comercializado como complemento alimentar.
Mesmo assim, este mês o MS enviou para às vigilâncias sanitárias de todo o País ofício informando que nenhuma cartilagem de tubarão produzida no Brasil possui registro. Com isso, o Ministério está formando um grupo técnico que avaliará como esse produto poderá ser enquadrado.
A cartilagem de tubarão se tornou polêmica porque até hoje nenhum estudo científico comprovou a eficácia terapêutica do produto. Com isso, os médicos não concordam com seu uso. A médica Eliza Pinheiro Machado, que atua no Hospital Erasto Gaertner, disse que, sem comprovação científica, os usuários correm o risco de estar investindo muito dinheiro num tratamento sem comprovação.


