Há 11 anos trabalhando como carteiro, o londrinense Valdir Alves dos Santos, 44, nunca havia sido atacado por um cão. Consciente do risco que corre ao se deparar com animais furiosos que vivem em casas onde diariamente entrega cartas, o carteiro viveu minutos de aflição na última quarta-feira. Santos foi atacado por um cachorro da raça pastor alemão, na Rua das Bananeiras, Jardim Interlagos (Zona Leste). Com ferimentos nas mãos, perna e costas, o profissional foi medicado e deve ficar afastado do trabalho por pelo menos quatro dias.
''Eu cheguei para entregar a carta e o portão estava aberto. O cão estava dentro de um canil com a porta apenas encostada, foi quanto ele saiu de lá e veio pra cima de mim'', disse. No momento do ataque, Santos estava sentado na motocicleta usada no trabalho. Com a força do cão, o carteiro se desequilibrou e caiu. Foi quando o cachorro voltou a atacar. ''A moto caiu sobre a minha perna e ele veio tentar morder minha cabeça. Tentei me defender com a mão e então ele me mordeu. Depois ele conseguiu morder minhas costas e quando a dona dele conseguiu afastá-lo, eu levantei, tirei o capacete e bati nele'', explicou o funcionário dos Correios, que também já passou por alguns sustos quando trabalhava de entregador de faturas da Copel.
O cachorro que atacou Santos, um pastor alemão chamado Lobo, pertence à dona de casa Valquiria Miranda, que confessou que seu animal ''é bem bravo''. Segundo ela, a família tem o hábito de sempre deixar o cão preso, mas no dia do ataque, ele teria conseguido escapar. ''Foi muito rápido. A gente sempre deixa ele preso. Ele é bem bravo. É um cão polícial, né? Ele nunca atacou alguém antes'', disse.
A dificuldade para lidar com cães não é novidade para os funcionários dos Correios. Em apenas um ano e meio na profissão, a carteira Maria Aparecida Gouveia, 41 anos, já foi atacada por cachorro. Mordida na perna, ela lembra que o portão da casa, localizada no Jardim Piza (Zona Sul), também estava aberto e o cão teria aproveitado a oportunidade para o ataque. ''Graças a Deus não foi nada demais, mas a gente acaba ficando com um pouco de medo. Existem alguns bairros, como Cafezal, Jamile Dequech, que existem muitos cães nas casas, mas principalmente nas ruas, o que nos assusta ainda mais'', disse.
Todos os anos, uma campanha busca conscientizar a população quanto os cuidados que podem ser tomados para evitar ataques de cães. Os números revelam a dificuldade enfrentada pelos profissionais. Em todo o Paraná, em 2005, 163 casos de ataques de cães contra carteiros foram registrados pelos Correios. No ano passado, o número chegou a 193. Até o mês de junho deste ano, 80 casos já foram contabilizados.
O gerente do centro de tratamento de cartas e encomendas de Londrina, Antonio Gonçalves Ribeiro, responsável pelo serviço realizado em toda região Norte e Norte Pioneiro, disse que apesar dos ataques continuarem, os casos têm sido cada vez menos graves. Ribeiro atribui isso ao treinamento que os carteiros recebem todos os anos. ''Hoje em dia, quando há um ataque, o carteiro já é bem instruído e sabe como lidar com a situação. Um exemplo disso é que os registros de ataques tem proprocionado cada vez menos afastamentos, pois os ferimentos têm sido cada vez mais leve'', comentou.
Mesmo assim, o gerente reforça a fundamental importância da população. ''Quando um carteiro é afastado por causa de um ataque, todos são sobrecarregados porque não temos pessoal para ficar no lugar dele, pois lidamos com concursados. As pessoas podem colaborar tomando medidas preventivas que podem evitar os ataques.''

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