Kraw PenasJosé Ferreira, o carteiro recordista: em pouco mais de um ano, já levou quatro mordidas e teve a calça rasgada, engordando a média de seis mordidas por mês registrada pelo Sindicato dos CarteirosO carteiro José Ferreira da Silva Junior, de 32 anos, é um recordista em matéria de mordida de cachorro. Em apenas um ano e dois meses de serviço, ele ‘‘conseguiu’’ ser atacado quatro vezes por cachorros durante a entrega de correspondências no bairro Santa Felicidade.
Ele já levou mordidas na mão e na perna e teve a calça rasgada. ‘‘Para mim já virou rotina. Antes de entrar nos Correios até gostava de cachorro, agora tenho raiva. Carteiro que tem cachorro em casa deve ser louco’’.
Segundo ele, a maioria das mordidas acontece quando não há caixas externas ou quando os proprietários deixam o portão aberto. Para evitar novos conflitos com os seus arquiinimigos de quatro patas, José Ferreira resolveu deixar a correspondência no portão. ‘‘Se botar a mão para dentro, o cachorro morde.’’
De acordo com dados do Sindicato dos Carteiros do Paraná, as mordidas de cão são a principal causa de acidentes de trabalho na categoria. De setembro do ano passado a janeiro deste ano, foram registradas 31 mordidas - uma média de seis por mês.
Um projeto de lei já aprovado na Câmara Municipal de Curitiba poderá aliviar um pouco essa rotina. O projeto estipula que as residências construídas a partir de agora tenham uma caixa externa para correspondência antes de receber o ‘‘habite-se’’.
Para o presidente do Sindicato dos Carteiros, Aerovaldo Figueiredo, outra saída seria a utilização de um aparelho de ultrasom para espantar os cães mais ferozes. ‘‘Na Alemanha os carteiros já usam um guarda-chuva com esse mecanismo. Estamos procurando desenvolver uma versão adequada aqui’’.(G.P.)

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