Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Uma experiência realizada no Nordeste, a região brasileira com o mais alto índice de mortalidade infantil, pode ser adotada em todo o País como mais uma forma de incentivo ao aleitamento materno em famílias de baixa renda. No Ceará, um programa desenvolvido em parceria pelo Ministério da Saúde e pelos Correios, está mobilizando 525 carteiros do Estado, transformados em agentes de saúde.
Quando eles vão entregar a correspondência e sabem que naquela casa há uma gestante ou uma mãe com filho de colo, imediatamente iniciam a orientação sobre a importância do exame pré-natal, da amamentação e dos cuidados com a criança desde o início da gravidez. O ‘‘Carteiro Amigo’’, criado em 1997, está sendo apontado pelos especialistas como um dos melhores programas do gênero desenvolvido no País.
‘‘O resultado foi e está sendo excelente. Este ano, o Ministério da Saúde e os Correios implantaram este projeto em todo o Nordeste devido ao sucesso no aumento da prevalência de amamentação no Ceará. É uma grande vitória para o nosso País’’, comemora Anamaria Cavalcante e Silva, pediatra mestre em Saúde Pública e diretora do Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza.
A especialista esteve ontem expondo o projeto no 56º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria, que se encerra hoje no Centro de Convenções do Hotel Bourbon, em Foz.
Segundo a médica Sônia Maria Salviano Matos de Alencar, professora da Universidade de Brasília, que também esteve debatendo o aleitamento na programação de ontem, são iniciativas como esta que fizeram a prática ser mais adotada por mães carentes, que necessitam de orientação e conscientização.
Em estudos realizados em 1986 e 1996, onde se compara porcentagens de crianças recebendo leite materno em suas dietas, observa-se um aumento de 74% para 85% em bebês de até quatro meses, e de 28% para 37% em crianças de 10 a 14 meses e de 10% para 15% em crianças de 22 a 26 meses.
Segundo a médica, o crescimento pode ser explicado pelo envolvimento de organizações não-governamentais e nos trabalhos de entidades como a Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica.
Estudos da Sociedade Brasileira de Pediatria apontam que o leite materno funciona como defesa contra problemas gastrintestinais e infecções respiratórias, doenças comuns em recém-nascidos.

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