A chuva, o peso das encomendas e os cães bravos. Estes são os principais inimigos dos carteiros, categoria que diariamente enfrenta dificuldades para garantir a entrega de correspondências com segurança e pontualidade. Apesar dos empecilhos, os profissionais são respeitados e têm trânsito livre em qualquer lugar. ''Adoro minha profissão. Principalmente, a confiança dos moradores. Na grande maioria das vezes, somos bem recebidos, independente do local'', garante o carteiro Ronaldo Augusto de Carvalho, 24 anos, funcionário dos Correios há dois anos e três meses.
Carvalho e os outros 219 colegas de função em Londrina celebram hoje o Dia do Carteiro. Os funcionários da instituição na cidade vão celebrar a data com churrasco e torneio de futebol. A confraternização sempre reúne histórias inusitadas, de trabalhadores que superam desafios para fazer as entregas em dia e com segurança.
Apesar de pouco tempo na função, Carvalho já coleciona fatos pitorescos. Um exemplo foi a fuga de um ataque de rottweiller, quando o carteiro ainda estava no período de experiência. ''O cachorro estava preso na corrente mas, quando entrei, ele escapou. Por sorte, o cão era pequeno e eu consegui me proteger com a bolsa e o dono logo chegou'', lembra.
A bolsa de correspondências, que ''salvou a pele'' de Carvalho do ataque, também é uma dificuldade que o carteiro tem de enfrentar. Para os homens, o peso médio é oito quilos. Já as carteiras carregam cerca de seis quilos de cartas e encomendas.
Nos dias de chuva, a dificuldade aumenta. ''Trabalhar com papel nos dias de muita água sempre é complicado'', confirma Carvalho. Segundo ele, as entregas são atrasadas somente no caso de temporais, que ''poderiam estragar as correspondências.''
Para o gerente de operações dos Correios para o Norte do Paraná, Carlos Ernesto Casagrande, 51, o carteiro é o ''embaixador dos Correios.'' ''Ele visita todos os lares, está em contato com as pessoas no dia-a-dia O carteiro é o próprio fundador da empresa'', destaca. Com 32 anos na instituição, ele já passou por diversas funções na empresa. Atuou como carteiro por três anos no início da carreira em Apucarana. Casagrande ainda recorda-se dos obstáculos da rotina de entrega de correspondências. ''No começo cheguei em casa querendo desistir. Minha mãe até fez um banho de água quente para a dor nos pés'', conta.
Cerca de 1.500 funcionários e familiares da região operacional de Londrina participam da celebração no Centro de Triagem de Cartas e Encomendas, na Zona Oeste. O evento terá também entrega de prêmios. O principal é o carteiro-padrão, escolhido pelos próprios colegas de função: Sérgio Aparecido Machado, de Porecatu, funcionário dos Correios desde 1986. Cada carteiro vai receber um kit com camiseta e uma mensagem de felicitação da diretoria.

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