O carteiro Nelson Zanetti, 45 anos, foi assaltado ontem, por volta do meio-dia, na esquina das ruas Paranaguá e Riachuelo (área central). Um homem armado com revólver calibre 38 ameaçou o carteiro, obrigou-o a entregar sua bolsa e fugiu em um Escort, onde estavam outros dois ladrões. Este é o terceiro assalto a carteiros nas últimas semanas em Londrina.
Nelson Zanetti trabalha na Central de Distribuição Domiciliar (CDD) do centro - a Cidade conta com quatro centrais. Ele conta que tinha acabado de entregar correspondência em uma casa da rua Paranaguá, quando foi abordado pelo assaltante. ‘‘Ele encostou o revólver no meu peito e me mandou entregar a bolsa’’, relata. Ainda de acordo com o carteiro, logo após pegar a bolsa, o assaltante saiu correndo em direção à rua Humaitá.
O carteiro e algumas pessoas que presenciaram o assalto começaram a correr atrás do assaltante. Segundo Nelson Zanetti, durante a fuga o assaltante deixou cair a bolsa e um motoqueiro que participava da perseguição quase conseguiu pegá-la. ‘‘Mas o assaltante apontou o revólver para o motoqueiro, que desistiu na hora de apanhar a bolsa’’, afirma Zanetti.
Ainda durante a perseguição, o assaltante chegou a dar três tiros na direção do carteiro, como ele relata. Nelson Zanetti informa que o assaltante correu cerca de três quadras e entrou em um Escort XR3 vinho, placa BFO 4465, estacionado na esquina das ruas Humaitá e Monte Castelo. Outros dois homens estavam no veículo e fugiram em direção à zona sul.
A bolsa, segundo o carteiro, continha cartas e objetos registrados - não havia talões de cheques ou cartões de crédito, que poderiam interessar aos assaltantes. Ele diz não saber porque o ladrão iria querer roubar bolsas de carteiros.
Nelson Zanetti descreve o assaltante como sendo moreno claro, de cabelos curtos e encaracolados, cerca de 20 anos, 1,70 m de altura. O acusado estava vestido com uma jaqueta preta e calça jeans. Ele não conseguiu ver os outros dois que estavam no veículo. A placa do Escort foi anotada por uma testemunha.
Trabalhando há 21 anos como carteiro, Nelson Zanetti diz que foi assaltado pela primeira vez ontem. ‘‘Fiquei assustado, porque a gente nunca espera que isso aconteça. Na hora me deu um frio na espinha.’’
Segundo o coordenador de distribuição de correspondências da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), Vicente Alves dos Santos, no mês passado aconteceram dois assaltos a carteiros, um no jardim Quebec (zona oeste) e outro na vila Brasil (área central).
Com base no que foi descrito pelos três carteiros, Vicente dos Santos acredita que a mesma pessoa é responsável pelos três assaltos. Nos dois assaltos anteriores, o carro não chegou a ser visto. Ele conta que assaltos a carteiros são um crime raro. Segundo Vicente dos Santos, as três ocorrências seriam as únicas registradas nos últimos anos.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina (SDP), Leonyl Ribeiro, confirma que esse tipo de crime não é comum. Sobre o caso de ontem, ele diz que Polícia confirmou que a placa do Escort é fria.
O carteiro viu o álbum de fotografias da delegacia, mas não reconheceu ninguém. Na opinião do delegado-chefe, os responsáveis pelos assaltos são ‘‘ladrões novos’’.

mockup