Carteiras frias podem envolver policial
James Alberti
De Curitiba
Um policial militar pode estar envolvido no esquema de venda de carteiras de habilitação falsificadas que funcionava a partir da Central de Abastecimento do Estado do Paraná (Ceasa), de Curitiba. Conhecido por Lima, o policial frequentava a central e oferecia serviços de cobrança e segurança. Atacadistas afirmam conhecer o policial, embora não confirmem a venda irregular dos documentos.
O bananeiro Harri Braun, 47 anos, morador de Corupá (SC), que comprava as carteiras em Curitiba e as revendia no Norte de Santa Catarina, disse à polícia daquele Estado que o policial se chama Roberto Lima. O presidente da Ceasa, José Lupion, confirma que um tal de Lima, que se indentificava como polícial militar, frequentava a Ceasa regularmente. Segundo ele, no entanto, Lima nunca foi atacadista, nem funcionário ou usuário da central.
Até anteontem, seis habilitações haviam sido apreendidas em três municípios catarinenses diferentes. Ontem Harri Braun prestou novo depoimento à polícia de Jaraguá do Sul, responsável pela investigação, e levou outras três habilitações falsas. A dona de casa Maria Guinter, que mora em Guaramirim (SC) e tinha comprado a carteira através de Braun, também levou o documento até a polícia.
O esquema foi descoberto depois da detenção do bananicultor Wilson Braun, 23 anos, filho de Braun. O bananicultor tinha comprado, por R$ 400,00, uma carteira para o filho, que não conseguia passar no exames. Depois do caso ser descoberto, Braun passou a recolher os documentos que tinha vendido prometendo devolver, pelo menos, parte do dinheiro pago pelos documentos. A polícia ainda não sabe, porém, a venda de quantos carteiras ele intermediou. A princípio, o bananicultor tinha dito que eram seis. Até ontem, já passavam de dez.
Todas as carteiras foram comprados em Curitiba, por valores que variam entre R$ 400,00 e R$ 800,00. O negócio era intermediado pelo policial. Braun encomendava o documento a Lima e duas semanas depois pegava a habilitação e repassava para conhecidos. A maioria das carteiras foi adquirida por analfabetos, que não teriam chances de passar nos exames para obter os documentos.
As carteiras teriam sido emitidas em dezembro de 1997. Nos documentos aparecem nomes de delegados de São Bento do Sul, Lages e Joaçaba, todos municípios catarinenses. Mas as assinaturas são falsas, segundo a delegada de Jaraguá do Sul, Fedra Konell, responsável pelas investigações. Conforme ela, as falsificações são grosseiras.
A Secretaria da Segurança Pública não informou, até o final desta edição, se há no quadro de funcionário da polícia estadual um soldado com o nome Roberto Lima.





