Carteira atrasa e rapaz perde trabalho
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quinta-feira, 16 de abril de 1998
Áureo Nogueira 
Josoé de CarvalhoSem-documentoEnquanto espera a carteira de trabalho ficar pronta, há quase dois meses, o estudante Maikon Silva e Silva já perdeu duas oportunidades de empregoA demora na expedição da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) continua provocando transtorno na vida de pessoas que precisam conseguir emprego.
Por lei, a emissão da CTPS deveria demorar no máximo quinze dias. Entretanto, mesmo depois de um ano de implantação do sistema informatizado de confecção do documento, a demora chega a ultrapassar dois meses.
Há quem perca várias chances de trabalhar pela demora na emissão do documento Maikon Deusdely Silva e Silva, estudante de 16 anos, diz que protocolou pedido da CTPS no dia 22 de fevereiro. Até ontem não havia sido expedida. Durante esse período, perdi duas oportunidades de emprego: o primeiro em um supermercado, no início de março, e o outro, na semana passada, como office-boy de um escritório de contabilidade, disse, indignado. Isso é um absurdo.
Está tão difícil conseguir emprego. Quando se consegue, perde-se a oportunidade porque o Ministério do Trabalho demora exageradamente para emitir o documento necessário, acrescenta a mãe de Maikon, a cabeleireira Iracema Ferreira Silva e Silva. Estou indignada, mas infelizmente não há o que se possa fazer a não ser denunciar na imprensa e pedir que as autoridades tomem providências para resolver o problema rapidamente, afirma a cabeleireira.
Iracema lembra que encaminhou reclamação aos vereadores, ao prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PDT), e para a Delegacia do Trabalho no Paraná.
O subdelegado Regional do Trabalho em Londrina, Dorival Silvestre Arantes, justifica a demora explicando que o processo de confecção da Carteira de Trabalho está informatizado mas é feito em Curitiba.
Antes de seguir para a Capital, o protocolo é enviado à Caixa Econômica Federal para fazer o cadastro no PIS. Somente depois de passar pela Caixa o pedido vai para Curitiba. A capacidade da Delegacia Regional de Trabalho é de emitir apenas 700 carteiras por dia, para atender todo o Estado. Por isso demora tanto, explica o subdelegado.
Dorival Arantes anuncia que, a partir do próximo mês, a Subdelegacia do Trabalho em Londrina também vai estar equipada com os computadores que fazem o documento. A demora deve então cair para cerca de 15 dias.


