Vera Lúcia dos Santos, 17 anos, e Idevanir de Oliveira Rodrigues, 23 anos, são ex-alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Londrina (Apae) e atualmente trabalham na entidade. Eles possuem carteira de trabalho assinada, vão ao banco todos os meses para receber o salário e se orgulham do que fazem.
Vera Lúcia é auxiliar de sala há dois anos e ajuda os professores a cuidarem das crianças. Ela diz gostar do trabalho porque se sente bem junto das crianças. ‘‘O serviço não é difícil, mas tem que ficar de olho aberto para que as crianças não briguem ou não se machuquem’’, ensina.
Morando desde pequena no Lar Anália Franco, Vera Lúcia frequenta a Apae desde os cinco anos. ‘‘No começo eu era bastante briguenta, mas pouco a pouco fui aprendendo a ser mais responsável. Aprendi também a gostar de crianças e por isso pediram para eu ajudar aqui’’, afirma. Ela lembra que quando recebeu o primeiro salário, abriu uma caderneta de poupança no banco. ‘‘Pensei primeiro em economizar e depois em gastar’’, afirma.
Hoje, parte do salário vai para a poupança e outra parte é destinada ao pagamento de contas e a compras de roupas, sapatos e outros objetos. Vera Lúcia afirma gostar de possuir uma carteira de trabalho assinada, mas confessa que não gosta de ter de ir ao banco todos os meses. ‘‘Tem muita fila’’, resume.
Vera Lúcia trabalha o dia todo na Apae mas diz não ficar cansada. Ela observa que pensa em estudar para ser professora. ‘‘Mas não quero ensinar adultos, quero continuar trabalhando com crianças’’, explica.
Idevanir trabalha há mais tempo na Apae - há quatro anos. Ele mora com os pais e uma irmã no conjunto Maria Cecília (zona norte) e todos os dias pega ônibus para trabalhar como porteiro na Apae, que fica na zona leste. ‘‘Cuido dos carros e ajudo as crianças que chegam na Apae’’, explica. Segundo ele, o serviço não é cansativo, apesar de ficar o dia todo na escola.
Idevanir frequentou a Apae desde criança e lembra que uma vez a mãe chegou a pensar em tirá-lo da entidade. ‘‘Mas eu não quis’’, afirma. Hoje, com o salário que recebe da Apae, ele compra objetos pessoais e também ajuda a família. ‘‘Os meus pais gostam que eu trabalhe’’, conta.

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