Cartazes fomentam debate sobre temas polêmicos
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terça-feira, 07 de agosto de 2018
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Como você reage diante de questões como feminismo, legalização do aborto, legalização da maconha e abusos sofridos no ambiente universitário? Para responder a essas questões alunas do 2º ano do curso de serviço social da UEM (Universidade Estadual de Maringá, campus do Vale do Ivaí (CRV), em Ivaiporã,
fizeram uma intervenção junto à comunidade universitária.
Elas colaram cartazes com perguntas relacionadas aos temas e pediram para que agentes universitários, alunos e professores interagissem e respondessem no próprio cartaz. O material ficou exposto durante duas semanas, em julho. O resultado impressionou diante de algumas respostas. A que mais gerou reação foi a que indagava se a pessoa já havia vivenciado ou presenciado algum tipo de abuso no campus. "Sim, várias vezes"; "Abuso social, psicológico, físico" foram algumas das respostas.
A estudante Ticiana de Souza, 21, destacou que a turma é composta por 12 mulheres e elas viram o quão complicado é enfrentar esse tipo de resposta. "O debate é necessário, porque trata de abusos em ambiente acadêmico. Somos mulheres e isso foi uma amostra de como a sociedade é muito machista. A gente ainda vive em uma sociedade patriarcal, mesmo dentro da universidade, onde esperávamos poder agir com liberdade", destacou.
No início, a comunidade acadêmica levou o trabalho a sério e publicou respostas adequadas. "Mas depois ficamos tristes porque surgiram respostas pejorativas contra a mulher", declarou. Diante da questão sobre o que é o feminismo, por exemplo, houve quem respondesse que é "falta de pia para lavar". Em contraposição a esse tipo de argumento, houve quem escrevesse no cartaz que "é empoderamento, é andar na rua com outra mana sem medo de correr perigo" e "um movimento que busca a igualdade política, econômica e social entre homens e mulheres".
A intervenção é resultado de uma atividade da disciplina "Psicologia Social", ministrada pelo professor Marcos Shiozaki, psicólogo com experiência em Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). "Trabalhei alguns temas que acabam surgindo na rotina do Creas. Trabalhar questões como abusos sexuais, tráfico de drogas, aborto, violência sexual contra crianças e mulheres acabam se tornando uma prática muito comum por assistentes sociais nesses locais. Muitas vezes o senso comum possui uma visão equivocada do problema", declarou.
Ele achou necessário discutir essas temáticas, porque avalia que muitos são ignorantes sobre questões moralizantes e é função do professor fomentar esse debate. "Boa parte das respostas foi legal, mas acabamos tendo respostas que me deixam entristecido. Sobre temas como violência contra a mulher, houve quem respondesse 'será que eu posso tocar no meu genital quando elas passam na minha frente?'", expôs. Shiozaki destacou que isso mostrou um pouco da atual cultura universitária. "Chegou a me incomodar. Pegamos respostas que não engolimos até agora", apontou.


