O detento Orlei José Martins, de 23 anos, assassinado a golpes de faca no dia 27 do mês passado dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), enviou em dezembro do ano passado uma carta para a vendedora Maria Cubas, mãe de Jezael Cubas, assassinado com cinco tiros no dia 20 de novembro de 1999. Na carta, ele disse que sofreu tortura para confessar crimes que não teria praticado. ‘‘Fui condenado sem dever absolutamente nada. Fui torturado na delegacia a mando do Zóio e do Caboclinho. A todo o momento eles diziam que iam me matar’’, diz a carta.
Orlei Martins seria uma das testemunhas de dois processos contra Joarez França Costa (o Caboclinho). Um do assassinato de Jezael Cubas. Martins teria ouvido Antonio Luiz da Silva (conhecido como Zóio e acusado de ser pistoleiro do Caboclinho) contar os detalhes do crime a um delegado de Rio Branco do Sul. O segundo processo é o que trata das torturas que seriam praticadas na delegacia daquele município, com suposto envolvimento de Caboclinho.
Na mesma carta, Orlei Martins pede ajuda para conseguir um advogado. ‘‘A minha família é pobre. Não tem condições de me ajudar... eu fui depor na CPI e me prometeram um advogado. Mas até agora não apareceu um advogado para mim’’, escreveu.
Maria Cubas contou que após receber a carta chegou a visitar e conversar rapidamente com o detento, que teria dito que tinha medo de morrer, mas que repetiria tudo em juízo. A vendedora disse ter certeza que a morte de Martins tem relação com Caboclinho. ‘‘Ele foi a terceira testemunha morta. E vão matar os outros dois que ainda estão presos’’, disse desesperada.
Ela citou os presos Cristiano Voltolini e Claudemir Rodrigues Alves, amigos de Jezael Cubas e que poderiam cooperar com o processo contra o Caboclinho. Maria Cubas mostrou cartas que teriam sido escritas pelos dois. Claudemir Alves diz na carta que não pode falar tudo o que sabia em seu depoimento à Justiça por que estava sendo vigiado. ‘‘O juiz me perguntou e eu disse a ele que foi a turma do Joarez e Zóio que armaram e mataram o Jeza’’, pontuou.
Orlei Martins foi a terceira testemunha de processos contra Caboclinho assassinada no último ano. No dia 12 de agosto do ano passado, o preso Paulo Fernando Miranda, 19, conhecido como ‘Cristo’, foi executado numa cela da Delegacia de Itaperuçu. Ele era testemunha do caso de Jezael Cubas.
Outra testemunha em processos contra Caboclinho e que foi assassinada é Joel de Souza, empresário do setor de autopeças. Ele era uma das testemunhas de acusação no atentado contra Adélio de Jesus Becker, em novembro de 1999. Souza foi morto em Cascavel.

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