Uma carta falsamente atribuída ao secretário executivo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Paraná, Jelson Oliveira, foi enviada ao chefe da Casa Civil, Rafael Greca, alertando que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) se prepara para ‘‘acampar em prédios públicos e em áreas de lazer de certas autoridades, cuja listagem já possuímos’’. A CPT negou a autoria da carta. ‘‘Parece uma tentativa de desmoralizar a marcha dos sem-terra e as manifestações de amanh㒒, disse Oliveira.
Uma cópia da carta, protocolada no Palácio Iguaçu na sexta-feira, chegou ontem à redação da Folha. Do envelope ao conteúdo, ela contém erros grosseiros. No espaço destinado ao remetente, traz um carimbo com a inscrição ‘‘Comissão Pastoral Operária’’, mas com endereço que não corresponde ao da entidade.
A carta trata Greca de ‘‘deputado’’ e grafa incorretamente - com ‘G’ - o nome do secretário executivo da CPT. De acordo com o texto, o MST ‘‘está dando um prazo derradeiro ao governo do Paraná, uma semana, para providenciar o que já pedimos’’. ‘‘A CPT não fala pelo Movimento Sem-Terra’’, disse Oliveira, que pretendia enviar uma carta de esclarecimento a Greca.
A carta foi divulgada para a imprensa na véspera da chegada da marcha em Curitiba. Ontem os 600 sem-terra passaram o dia em Campo Largo, na Região Metropolitana, de onde saem hoje às 8 horas. O grupo chega por volta das 10 horas de amanhã ao Parque Barigui, onde se encontra com caravanas do interior e de sindicalistas.
Às 14 horas, haverá uma manifestação em frente ao Palácio, para a qual são esperadas 2 mil pessoas. Ontem, lideranças do MST reafirmaram a intenção de acampar no Centro Cívico até que o governo atenda as principais reivindicações do movimento: libertação dos oito sem-terra detidos no Estado e agilização da reforma agrária.
Reforço - Pelo menos 400 sem-terra da região de Querência do Norte (a 113 quilômetros de Paranavaí), vão se juntar à marcha do MST amanhã, na entrada de Curitiba. Ontem os coordenadores do movimento em Querência do Norte estavam percorrendo os 13 acampamentos para fechar a lista das pessoas que vão para a capital. Segundo Dalto Vargas, do MST em Querência do Norte, os ônibus que vão levar os sem-terra até Curitiba partem hoje à noite. A intenção, segundo ele, é encontrar a marcha já na entrada de Curitiba.
Vargas diz que dos mais de 600 sem-terra que saíram de Querência do Norte dia 23 do mês passado, pouco mais de 150 continuam na marcha até o final. A intenção do movimento, explica, é mandar o máximo de sem-terra de cada região. Em Querência há cerca de 1.400 famílias em 13 propriedades invadidas.
O coordenador adiantou ainda que todas as 11 regionais do MST no Paraná pretendem mandar sem-terra para o protesto em Curitiba. ‘‘Só o MST vai participar com 8 mil pessoas da marcha em Curitiba quarta-feira’’, exagera.

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