Carta falsa faz ameaça em nome da Pastoral da Terra
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de outubro de 1997
Curitiba 
Uma carta falsamente atribuída ao secretário executivo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Paraná, Jelson Oliveira, foi enviada ao chefe da Casa Civil, Rafael Greca, alertando que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) se prepara para acampar em prédios públicos e em áreas de lazer de certas autoridades, cuja listagem já possuímos. A CPT negou a autoria da carta. Parece uma tentativa de desmoralizar a marcha dos sem-terra e as manifestações de amanhã, disse Oliveira.
Uma cópia da carta, protocolada no Palácio Iguaçu na sexta-feira, chegou ontem à redação da Folha. Do envelope ao conteúdo, ela contém erros grosseiros. No espaço destinado ao remetente, traz um carimbo com a inscrição Comissão Pastoral Operária, mas com endereço que não corresponde ao da entidade.
A carta trata Greca de deputado e grafa incorretamente - com G - o nome do secretário executivo da CPT. De acordo com o texto, o MST está dando um prazo derradeiro ao governo do Paraná, uma semana, para providenciar o que já pedimos. A CPT não fala pelo Movimento Sem-Terra, disse Oliveira, que pretendia enviar uma carta de esclarecimento a Greca.
A carta foi divulgada para a imprensa na véspera da chegada da marcha em Curitiba. Ontem os 600 sem-terra passaram o dia em Campo Largo, na Região Metropolitana, de onde saem hoje às 8 horas. O grupo chega por volta das 10 horas de amanhã ao Parque Barigui, onde se encontra com caravanas do interior e de sindicalistas.
Às 14 horas, haverá uma manifestação em frente ao Palácio, para a qual são esperadas 2 mil pessoas. Ontem, lideranças do MST reafirmaram a intenção de acampar no Centro Cívico até que o governo atenda as principais reivindicações do movimento: libertação dos oito sem-terra detidos no Estado e agilização da reforma agrária.
Reforço - Pelo menos 400 sem-terra da região de Querência do Norte (a 113 quilômetros de Paranavaí), vão se juntar à marcha do MST amanhã, na entrada de Curitiba. Ontem os coordenadores do movimento em Querência do Norte estavam percorrendo os 13 acampamentos para fechar a lista das pessoas que vão para a capital. Segundo Dalto Vargas, do MST em Querência do Norte, os ônibus que vão levar os sem-terra até Curitiba partem hoje à noite. A intenção, segundo ele, é encontrar a marcha já na entrada de Curitiba.
Vargas diz que dos mais de 600 sem-terra que saíram de Querência do Norte dia 23 do mês passado, pouco mais de 150 continuam na marcha até o final. A intenção do movimento, explica, é mandar o máximo de sem-terra de cada região. Em Querência há cerca de 1.400 famílias em 13 propriedades invadidas.
O coordenador adiantou ainda que todas as 11 regionais do MST no Paraná pretendem mandar sem-terra para o protesto em Curitiba. Só o MST vai participar com 8 mil pessoas da marcha em Curitiba quarta-feira, exagera.


