Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Polícia Civil de Toledo (45 km a noroeste de Cascavel) divulgou ontem à tarde duas cartas escritas pelo dentista Valdir Konzen, 34 anos, dias antes de cometer suicídio no dia 23 de janeiro, enforcando-se em seu quarto. Nas cartas, ele relata que estava sendo vítima de campanha difamatória movida pelo colunista social Sérgio Ricardo, 37 anos, do jornal Gazeta do Paraná, de Cascavel, e de que se mataria por não suportar a desmoralização pública. A polícia investiga a hipótese de que tenha ocorrido o crime de suicídio induzido.
Valdir Konzen era casado e pai de uma menina de 6 anos de idade. A esposa, Elizabeth Konzen, 30 anos, foi quem encontrou as cartas, logo depois do suicídio. Após várias reuniões familiares, ontem Elizabeth autorizou a Polícia a divulgá-las.
As cartas são manuscritas, datadas de 10 e 19 de janeiro, e nelas Konsen afirma que estava sendo vítima de ‘‘calúnias totalmente infundadas’’, de parte ‘‘de um porco chamado Sérgio Ricardo’’ e de ‘‘Mini’’ – Carlos Mini Rodrigues, fotógrafo do colunista. O dentista também deixou escrito que nunca fez ‘‘o que foi publicado’’ na coluna social.
Em outros trechos ele se refere a ‘‘pessoas inescrupulosas, que adoram pegar pessoas emergentes’’. ‘‘Não vejo mais saída, pois minha moral é inabalável, mas infelizmente não tenho forças para continuar’’, escreveu. A carta traz em seguida trecho em que ele se despede da esposa e filha.
A polícia também recebeu da família oito recortes de notas da coluna social relatando uma suposta relação íntima de um profissional liberal de Toledo com um empresário da cidade. Nas notas não são citados nomes, mas a sociedade local e a família automaticamente vincularam os fatos.
O delegado Luiz Carlos Pacheco disse que as investigações consideram a possibilidade de indução ao suicídio (pena de 2 a 6 anos, pelo Código Penal). A família de Konzen não faz declarações públicas.
O colunista social Sérgio Ricardo disse que acionará judicialmente todos os que estão afirmando publicamente que ele estava tentando extorquir o dentista. ‘‘Nunca pratiquei achaque, nunca conversei com ele, nunca citei seu nome’’, afirmou o colunista. Segundo ele, as notas no jornal sempre foram no sentido de informar, de dar as notícias que ele recebe de suas fontes. Disse ainda que lamenta a ‘‘atitude tresloucada’’ – o suicídio. ‘‘Mas não podem me culpar por isso’’, afirmou.
Sérgio Ricardo disse que ainda não tinha tomado conhecimento formal do teor das cartas. ‘‘Mas já me disseram que em nenhum trecho ele me acusa diretamente de achaque’’, disse.
Em janeiro, o secretário de comunicação da prefeitura de Cascavel, Júlio César Fernandes, armou um flagrante para provar que a administração pública estava sendo extorquida. O colunista social Antonio Almeida, o Magal, ficou preso uma semana.

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