Ahirton Sampaio/Jornal do EstadoDom Pedro Fedalto, arcebispo de Curitiba, leu carta aberta na qual a Igreja Católica defende a urgência da realização da reforma agrária e diz que ‘‘não é lícito tratar os assuntos da terra como casos de polícia ou de grades de prisões’’O arcebispo de Curitiba, dom Pedro Fedalto, disse ontem que a reforma agrária ‘‘está muito lenta e precisa ser apressada’’. Ele também manifestou solidariedade ao MST, afirmando que ‘‘tudo o que é feito para o bem do povo, para o bem da sociedade, para o bem da família é justo’’. O arcebispo afirmou ainda que estava ‘‘alegre’’ com a liberação de dois sem-terra pela Justiça.
As declarações foram dadas em entrevista, depois da leitura de uma carta aberta na qual a Igreja Católica defende a urgência da realização da reforma agrária e diz que ‘‘não é lícito tratar os assuntos da terra como casos de polícia ou de grades de prisões’’. A carta foi lida pelo arcebispo em frente à Catedral Basílica, onde recebeu os manifestantes pouco antes do meio-dia.
O texto é assinado pelo arcebispo de Maringá e presidente da Regional Sul II da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Murilo Krieger. Citando palavras de uma encíclica do Papa João Paulo II, ele afirma que ‘‘a posse da terra torna-se ilegítima quando não é valorizada ou quando serve para impedir o trabalho de outros’’. Dom Murilo também alerta que ‘‘os problemas envolvendo a terra são urgentes e, se não forem tomadas decisões adequadas e imediatas, agravar-se-ão’’.
À tarde, depois da reunião com Incra e governo do Estado, dom Pedro Fedalto voltou a falar sobre o problema fundiário, afirmando que a Igreja ‘‘sempre está a favor dos que têm menos voz e menos vez’’. Segundo ele, a questão da terra é como uma ‘‘medalha de duas faces’’. ‘‘De um lado os que não tem a terra e o do outro os que a têm. O melhor de tudo seria criar mecanismos que facilitem para os dois lados’’, disse.

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