Carta da Igreja apóia reforma
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Curitiba 
Ahirton Sampaio/Jornal do EstadoDom Pedro Fedalto, arcebispo de Curitiba, leu carta aberta na qual a Igreja Católica defende a urgência da realização da reforma agrária e diz que não é lícito tratar os assuntos da terra como casos de polícia ou de grades de prisõesO arcebispo de Curitiba, dom Pedro Fedalto, disse ontem que a reforma agrária está muito lenta e precisa ser apressada. Ele também manifestou solidariedade ao MST, afirmando que tudo o que é feito para o bem do povo, para o bem da sociedade, para o bem da família é justo. O arcebispo afirmou ainda que estava alegre com a liberação de dois sem-terra pela Justiça.
As declarações foram dadas em entrevista, depois da leitura de uma carta aberta na qual a Igreja Católica defende a urgência da realização da reforma agrária e diz que não é lícito tratar os assuntos da terra como casos de polícia ou de grades de prisões. A carta foi lida pelo arcebispo em frente à Catedral Basílica, onde recebeu os manifestantes pouco antes do meio-dia.
O texto é assinado pelo arcebispo de Maringá e presidente da Regional Sul II da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Murilo Krieger. Citando palavras de uma encíclica do Papa João Paulo II, ele afirma que a posse da terra torna-se ilegítima quando não é valorizada ou quando serve para impedir o trabalho de outros. Dom Murilo também alerta que os problemas envolvendo a terra são urgentes e, se não forem tomadas decisões adequadas e imediatas, agravar-se-ão.
À tarde, depois da reunião com Incra e governo do Estado, dom Pedro Fedalto voltou a falar sobre o problema fundiário, afirmando que a Igreja sempre está a favor dos que têm menos voz e menos vez. Segundo ele, a questão da terra é como uma medalha de duas faces. De um lado os que não tem a terra e o do outro os que a têm. O melhor de tudo seria criar mecanismos que facilitem para os dois lados, disse.


