Carta da defesa de Panissa é falsa


A 1ª Vara Criminal do Fórum de Londrina recebeu, no final de fevereiro, documento vindo do Fórum de Uberaba (MG) que prova ser falsa a carta psicografada que estava sendo usada pela defesa do empresário Marcos Campi¤a Panissa no processo em que é acusado de ter matado, com 72 facadas, a ex-esposa Fernanda Estrusani, em agosto de 1989.
Os advogados de Panissa anexaram ao processo, para ser usada como instrumento defesa no terceiro julgamento, que ocorreria em junho de 95, uma carta que diziam ter sido psicografada pelo médium mineiro Chico Xavier. Na carta, Fernanda Estrusani dizia que não fora morta por Panissa, ‘‘mas sim pratiquei o suicídio porque magoei e feri loucamente a quem tanto amor me deu’’.
Agora o documento vindo de Uberaba, com declaração de próprio punho de Chico Xavier, afirma não ser verdadeiro que aquela carta tenha sido psicografada pelo espírito de Fernanda Estrusani. ‘‘Do ponto de vista legal ela não teria mesmo validade no julgamento, mas poderia influir na decisão de algum membro do jurado’’, afirma o promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Yassaka.
De acordo com ele, a carta será retirada dos autos do processo e encaminhada à Polícia Civil para abertura de inquérito. ‘‘Vamos tentar identificar o autor daquele documento ilícito, que está sujeito a ser processado por falsidade ideológica’’, comenta Yassaka, lembrando que o crime de homicídio corre o risco de prescrição se o acusado não for julgado pelo Tribunal do Júri nos próximos dez anos.
Arquivo FolhaO advogadoVianna:‘‘ Não vou divulgar o autor por sigilo profissional’’O advogado de defesa de Panissa, Antonio Carlos de Andrade Vianna, considera uma perda de tempo a abertura de inquérito para se tentar apurar quem foi o autor da carta psicografada falsa. ‘‘A Justiça tem coisas mais importantes com as quais se preocupar. Com o devido respeito ao promotor, isto é uma grande besteira. Não vou divulgar o nome do autor porque estou protegido pelo sigilo profissional.’
Na opinião de Vianna, não há justa causa para a abertura do inquérito policial porque o documento não causou nenhum efeito concreto no processo. Ele diz que seu cliente, que está foragido, só se apresentará para ser julgado pela terceira vez quando conseguir revogar, no Supremo Tribunal de Justiça, a prisão preventiva decretada em junho de 95.Arquivo FolhaO promotorYassaka: ‘‘Autor do documento ilícito está sujeito a processo’’Osmani Costa

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