Carta coloca sob suspeita doação de terreno
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de novembro de 2001
Betânia Rodrigues<br>De Londrina 
A doação de terreno para a Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Londrina virou caso de Justiça. Ontem, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público recebeu uma representação e uma carta anônima que colocam sob suspeita a negociação. A justificativa apresentada em ambos documentos é o fato do chefe de gabinete da prefeitura e ex-secretário de governo, Jorge Coimbra, ser proprietário de sete lotes vizinhos à área onde a universidade será instalada.
Segundo a enfermeira e autora da representação, Regina Maria Amâncio, a doação dos 303.176,69 metros quadrados à PUC foi uma especulação imobiliária que beneficiou diretamente o chefe de gabinete. Além de Coimbra, ela cita também como responsáveis por danos ao patrimônio público o prefeito Nedson Micheleti (PT) e o presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB) que autorizaram a abertura especial de crédito de R$ 2.869.000,00 para comprar o terreno.
''Na minha opinião, o prefeito deveria anular o negócio e doar uma área pública para a universidade'', sugeriu a enfermeira que critica a omissão de Turini e a anuência de Micheleti. O vereador afirma que o projeto 352/2001 foi amplamente discutido com a sociedade e que durante esse período ninguém questionou a transparência do processo. A mesma resposta foi dada pela assessoria de comunicação da prefeitura que também garantiu profissionalismo na avaliação da área assinada por Coimbra.
O chefe de gabinete disse estar trânquilo e intima os acusadores a provar onde é que ele levou vantagem. ''Por acaso é crime ser proprietário de imóvel? Não houve nenhuma irregularidade na desapropriação e vou provar isto quando for chamado pelo Ministério Público.''
A promotora Solange Vicentin ainda não analisou as denúncias e disse que as investigações deverão começar na próxima semana.


