Carta-bomba fere homem e menina de três anos
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba Uma correspondência-bomba deixou um homem e uma criança de três anos feridos na última terça-feira, em Curitiba. O pacote estava endereçado a Andréa Roseli da Silva, 28 anos, operadora do caixa de um supermercado. Como na hora que a embalagem chegou Andréa estava no trabalho, sua mãe, Benedita Luzia da Silva resolveu abrir para ver o que era. Segundo a família, na caixa estava um secador de cabelos e uma carta indicando que era um presente de uma velha amiga, porém sem assinatura. Benedita pediu, então, que seu genro (casado com sua filha mais nova), Sandro Lemos, testasse o aparelho. Assim que o secador de cabelos foi colocado na tomada, explodiu.
Sandro teve diversos cortes profundos na barriga e nas pernas, além de ferimentos por outras partes do corpo. O rapaz sofreu uma cirurgia e já está em casa, porém imobilizado. A menina que foi atingida é filha de Andréa e também teve cortes nas pernas. Por enquanto, a única suspeita de Andréa é que a bomba possa ter vindo da mulher de seu ex-namorado. Andréa disse que já não vê seu antigo namorado desde 1999, porém sempre recebeu cartas e telefonemas anônimos ameaçadores, os quais ela já suspeitava que eram da mulher. Em 1999, Andréa chegou a prestar queixa na polícia por causa das ameaças.
''De um ano para cá não recebi mais nenhum telefonema e nenhuma carta. Achei que tinha parado. Jamais imaginei que alguém pudesse fazer algo tão grave'', contou Andréa. Ela disse que agora, além do medo, a família vai ter que arcar com um grande prejuízo, já que a sala de casa de Andréa foi destruída e Sandro, que é vendedor autonômo, deve ficar impedido de trabalhar por algum tempo.
A menina que foi atingida no acidente é filha do ex-namorado de Andréa, porém a moça garante que ele apenas deposita uma ajuda de custo todos os meses e nunca vem visitar a menina. ''Ele já não vê a filha porque a mulher dele não deixa.'' Andréa mora com seu companheiro há quatro anos e tem uma outra filha de quatro meses.
O delegado Guaracy Hoffman, da delegacia de Explosivos, Armas e Munições, afirmou que as evidências apontam mesmo para a moça indicada por Andréa, porém ela só deve ser chamada para depôr depois que o laudo da perícia técnica estiver pronto. Nem a polícia, nem a vítima quiseram informar o nome da suspeita.


