O presidente da Câmara de Veredores de Londrina, Adalberto Pereira da Silva (PFL), enviou ontem à tarde ao secretário estadual de Justiça, Edson Vidal, um relatório anônimo denunciando irregularidades que estariam ocorrendo na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).
‘‘As denúncias são graves e merecem ser investigadas com urgência, mesmo sendo anônimas. Quem denunciou mostra ter conhecimento profundo dos fatos’’, afirmou o vereador.
O relatório diz que vários agentes recebem salários sem trabalhar. As supostas irregularidades seriam chamadas de ‘‘anistia’’ e corresponderiam a 2.880 horas/mês sem trabalho, pagas integralmente pelo Governo do Estado. No dossiê foram anexados documentos que comprovariam as irregularidades.
As denúncias atingem diversos setores da PEL. O relatório denuncia funcionários que levam para casa sacos de pães e doces, ocupam a lavanderia e obrigam os presos a lavar roupa para eles. Um trecho afirma: ‘‘Até a comida é diferenciada em qualidade para determinados funcionários, que tomam refrigerante custeados pelos presos’’. O dossiê relata com pormenores o comércio que seria feito internamente com os presos: haveria tráfico de produtos para as celas - inclusive drogas. As drogas constam como o comércio mais lucrativo dentro da Penitenciária e seriam distribuídas por ‘‘presos de confiança’’. Um agente teria sido flagrado com tóxicos.
Um dos aspectos mais graves das denúncias é o suposto privilégio de presos ricos, que teriam sido beneficiados com livramento condicional, em detrimento de outros presos que haviam solicitado o benefício há mais tempo. O custo para agilizar o pedido estaria estipulado em R$ 10 mil. ‘‘Se as denúncias forem verdadeiras, representam mais uma página negra do sistema penitenciário falido do Paraná. O que está relatado no documento é apavorante e a Secretaria de Justiça tem que investigar a fundo as denúncias’’, disse o vereador Adalberto Pereira.
As denúncias foram também encaminhadas às seguintes autoridades: vice-governadora Emilia Belinati (PTB); prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PDT); juiz da Vara de Execuções de Londrina, Roberto do Valle; senador Roberto Requião (PMDB); e deputado estadual José Tavares (PTB).
A Folha não conseguiu falar ontem com o diretor interino da PEL, Maurício Sanches.

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