Carta aberta dos médicos à população
''Notícias mal expressas, têm levado à mídia e, consequentemente, toda a população à conclusões totalmente equivocadas sobre o atendimento médico no Hospital Universitário do Norte do Paraná.
As notícias referentes a problemas com os horários de registro eletrônico de presença de médicos induzem os leitores a formar opiniões distorcidas. Associam, por exemplo, as restrições de atendimento a pacientes no Pronto Socorro com a ausência de profissionais.
Esse Departamento esclarece, a toda comunidade, que nenhum doente deixou de ser atendido nesse hospital devido a esse episódio. Explicação é que os profissionais envolvidos não atuam diretamente no atendimento dos doentes e sim em serviços com demanda previamente definida pelo SUS e contratados pelo HU. Nesse caso, o número de procedimentos contratados foi executado.
É verdade que há muitas vezes demora no atendimento do Pronto Socorro, assim como há demora para marcação de consultas e também para muitos procedimentos cirúrgicos. As filas de atendimento no Hospital Universitário estão relacionadas à limitada capacidade física e de equipamentos. Não há leitos, salas cirúrgicas, UTI e espaço de pronto-socorro suficientes para a demanda de Londrina e região. Os baixos salários dificultam a contratação de profissionais em muitas áreas. Os investimentos, estaduais ou federais, que têm sido feitos, são acanhados e não acontecem com a urgência necessária.
Os médicos e toda comunidade hospitalar jamais se furtaram a prestar atendimento a quem nos procura. Ao contrário, constantemente atendem além da sua capacidade.
Todos estes problemas são conhecidos da administração da universidade e não entendemos como a chamada 'crise do ponto' pode ter sido conduzida de modo tão inadequado. Um problema administrativo ganhou contornos políticos e feriu a dignidade da instituição como um todo.
Não ofereceram chance de defesa prévia a nenhum dos profissionais envolvidos e criou-se um clima de desconfiança. Se houve irregularidades, a auditoria e um eventual processo disciplinar, que é a via institucional, vão investigar e absolver ou punir os envolvidos.
Entretanto, a exposição de imagens gravadas apenas e tão somente permitiu conclusões equivocadas pela mídia, e consequentemente, pela população.
Isentos de qualquer sentimento corporativista, o Departamento de Clínica Cirúrgica do Centro de Ciências da Saúde da UEL, que atua nesse hospital desde a sua fundação, em 1970, vem a público expressar seu inabalável apoio ao HU, além de manifestar total repúdio à lamentável maneira como foi conduzida esta 'crise' pela administração da universidade''.





