Os carros em mau estado de conservação deverão continuar nas ruas pelo menos por mais alguns meses. Um impasse em determinar sobre quem vai recair a competência de realizar a inspeção nos veículos, exigida pelo novo Código de Trânsito Brasileiro, vai atrasar o início dos trabalhos. A inspeção de segurança dos carros deveria começar em março, para retirar de circulação os carros que apresentam problemas e colocam em risco a vida de motoristas e pedestres.
A morosidade beneficia os motoristas que costumam descuidar dos veículos que usam. O Detran não possui levantamento que mostre quantos carros deteriorados circulam no Paraná, mas quem anda nas ruas sabe que eles não são raridade. Só em Curitiba, o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) apreendeu, entre janeiro e novembro do ano passado, 40 veículos em mau estado de conservação. Pneus carecas, falta de limpador de párabrisa e de faróis são os principais motivos das apreensões. Por enquanto, esses carros são levados para o pátio do Detran e, para retirá-lo, o motorista precisa regularizar os problemas e pagar uma série de taxas.
No início, o novo código determinava que a fiscalização seria de responsabilidade dos Estados, mas em novembro do ano passado, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) assinou a Resolução 084/98, que passou o poder para o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Com o conflito instalado, o caso foi parar no STF, que deverá decidir a questão.
De acordo com a resolução, o Denatran deverá apresentar um modelo de vistoria para ser adotado em todo o País. Como o Denatran também não se manifestou até agora, não há mais prazo para o início das inspeções.
Para o diretor de Operações do Detran-PR, Eliseu João da Silva, mesmo que o projeto seja apresentado imediatamente não há tempo para que a vistoria seja implantada até março. Considerando o processo licitatório para escolha da empresa que vai realizar o trabalho e sua instalação, o Detran acredita que a fiscalização não chegue a ser implantada ainda neste ano. Enquanto isso, o Detran mantém parado um processo licitatório iniciado em 1996, antes mesmo do novo código.
Prejuízo - O funcionário público Paulo Montegutte foi uma vítima do trânsito que abriga veículos sem condições de circulação. No último dia 8, ele teve seu carro abalroado por um Corcel, quando aguardava a abertura do semáforo na Avenida Visconde de Guarapuava, no centro de Curitiba, num dia de chuva. O Corcel, com pneus carecas e totalmente deteriorado pela ferrugem, se desgovernou, invadiu a calçada e se chocou de frente com o carro de Montegutte, um Fusca 77, mas que está em bom estado de conservação.
Montegutte acabou ferindo o rosto e precisou ser levado ao Pronto-Socorro Cajuru. ‘‘Como o motorista não tem condições de pagar o conserto, terei de arcar com um prejuízo de R$ 700,00‘‘, conta.
Para o Detran, não é o ano que determina quais os veículos que deveriam sair de circulação, mas sim sua manutenção. O mestre-de-obras Oséas Moreira Bastos é um motorista que não teria problemas porque possui um Corcel 77. Desde que as novas regras de trânsito entraram em vigor, em janeiro do ano passado, ele instalou cinto de segurança de três pontas e, na semana passada, colocou quatro pneus novos.

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