Dimitri do Valle
De Curitiba
Dois carros apreendidos numa revendedora foram encontrados completamente ‘‘depenados’’ nos fundos do 11º Distrito Policial, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Os carros pertencem ao comerciante de automóveis Arnon de Matos Medeiros, 24 anos, que está preso na carceragem do distrito. Ele é acusado de mandar assassinar a ex-mulher, a funcionária pública Meire Josiane Strano Pereira Medeiros, 23 anos, no final de maio deste ano. Os veículos foram levados até a delegacia na época da prisão para serem periciados pelos policiais. Ambos teriam sido usados para transportar o corpo até a Serra da Graciosa.
Ontem à tarde, o juiz da 11ª Vara Criminal, Luiz Antônio Barry, autorizou a realização de uma nova perícia e a remoção dos veículos da delegacia. O levantamento indicaria o número de peças que foi retirado de um modelo importado Mitsubishi, ano 95, e um Monza, fabricado em 1984. O advogado de Arnon, Fernando Ferreira Elias, disse que processará o governo do Estado pelo prejuízo.
‘‘É extremamente lamentável que agora nenhum dos dois veículos tenham condições de uso’’, afirmou o advogado, que não acredita que algum detento tenha retirado as peças dos automóveis. ‘‘Foi alguma pessoa indicada ou com a permissão deles (policiais). Acusar detento? Em hipótese alguma’’, comentou. No despacho, o próprio juiz lamentou o estado em que os automóveis ficaram após terem sido recolhidos para o 11º DP. Além dos dois carros, havia no local outros três automóveis (dois Opalas e um Corcel II) sem condições de funcionarem.
A reportagem da Folha tentou obter a versão dos responsáveis pelo 11º DP sobre o caso, mas o delegado titular, Antônio Macedo de Campos, informou que todas as respostas serão dadas somente ao juiz Luiz Antônio Barry até a próxima quarta-feira. A equipe do jornal foi impedida de acompanhar o trabalho da perícia e fotografar os dois veículos. O advogado Fernando Elias garantiu que os carros foram removidos da revendedora de Arnon em perfeito estado.
O próximo passo de Elias é oficializar uma denúncia na Corregedoria da Polícia Civil. ‘‘Ficou constatado a depreciação e a retirada das peças e dos acessórios dos veículos’’, comunicou. Mesmo depois dos policiais terem encerrado a perícia, o advogado relatou que os veículos não foram devolvidos para a revendedora. O Mitsubishi estaria valendo no mercado entre R$ 16 mil a R$ 18 mil. O Monza vale cerca de R$ 4,5 mil.
Os dois carros foram usados para transportar o corpo de Meire Medeiros até a Serra da Graciosa. O Monza ficou sem combustível e dois homens que teriam sequestrado a funcionária pública foram buscar o segundo carro (Mitsubishi) para se livrar do cadáver.
O advogado de Arnon, Fernando Elias, disse que o cliente é inocente e nunca teve a intenção de maltratar Meire. Segundo Elias, o comerciante contratou os dois homens para seguir Meire e flagrá-la num suposto caso extraconjugal. ‘‘Ele (Arnon) só pediu para seguir a esposa e comprovar a infidelidade’’, disse o advogado. Meire e Arnon estavam separados quando o crime aconteceu.Denúncia foi feita por familiares de um dos detentos do 11º Distrito Policial. Justiça autorizou ontem remoção dos veículos
Mauro FrassonSUSPEITOSO advogado Fernando Ferreira acredita que peças foram retiradas dos carros por alguma pessoa indicada ou com a permissão dos policiais. Ele diz que processará o Estado pelos prejuízos

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