Carros expulsam pedestres da calçada
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de janeiro de 1997
Montezuma Cruz Sucursal de Foz do Iguaçu 
FOZ DO IGUAÇU - Motoristas estacionam diariamente seus carros sobre calçadas, na frente de prédios públicos, clínicas médicas, hospitais, escolas públicas ou particulares, supermercados e outros estabelecimentos em Foz do Iguaçu. A prática não é nova, mas ainda não foi coibida pelo policiamento do trânsito. Pedestres, os mais prejudicados por jeitinho brasileiro, se acidentam e não têm a quem recorrer. Motoristas também perdem a visão completa da rua.
Os abusos ocorrem em áreas bem movimentadas: ruas Almirante Barroso, Marechal Floriano, Quintino Bocaiúva, Marechal Deodoro e Santos Dumont; avenidas Paraná, Juscelino Kubitschek de Oliveira, Brasil, República Argentina, Cataratas e Jorge Schimmelpfeng. Geralmente, as vítimas são obrigadas a andar no asfalto para se desviar dos carros que tomam todo o espaço. As moças da Zona Azul, a serviço da Companhia de Desenvolvimento de Foz (Codefi), não têm instruções para impedir a irregularidade. Elas se limitam a cobrar pelo estacionamento normal dos veículos.
Má vontade, autoritarismo e grosseria constituem a resposta à maioria dos pedestres. A donade casa Maria Gertrudes Damasceno, 39 anos, circulava ontem na Rua Marechal Deodoro. Apertada entre um ônibus e uma kombi de turismo, queixou-se. A senhora não vê que estou trabalhando?, devolveu o motorista do ônibus, julgando-se correto ao aguardar, na calçada, o último sacoleiro com bagagem.
O chofer da kombi, Aparecido Leite, considerou errada a atitude do colega, reconheceu que também estacionara errado, porém, sugeriu à prefeitura disciplinar carga e descarga de transportadoras, entrada e saída de veículos de turismo no centro. Se tiver um guarda com moral, aqui, todo mundo se sai bem e ninguém atrapalha ninguém, opinou.
Anteontem, às 18 horas, na esquina das ruas Jorge Sanways e Almirante Barroso, o soldado PM Oséias advertiu uma mulher que estava sobre uma calçada e, ao sair, cruzou o sinal fechado. Ela retornou, mostrou a língua para ele, tomou-lhe o bloco de multas e rasgou as primeiras folhas, fugindo em seguida.
Não há, no posto previdenciário, Pronto Atendimento Médico Municipal e pronto-socorro da Santa Casa uma estatística exata sobre acidentados em consequência da irregularidade. No entanto, é comum, entre policiais civis, militares e guardas municipais, o atendimento a crianças e idosos vítimas do trânsito.
De segunda-feira a domingo, carros de todos os tipos não apenas estacionam sobre calçadas nas principais avenidas. Ali, eles também têm peças revisadas, pneus trocados, são lavados e manobram sem serem incomodados. Sacoleiros e sitiantes, uns apressados, outros distraídos, são vítimas de atropelamentos dessa natureza. Em 96, o telefone 156, aberto às reclamações e denúncias da população, registrou apenas seis queixas sobre o abuso.


