A prefeitura está cogitando a hipótese de que grupos econômicos ou políticos possam estar por trás de alguns dos protestos contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo realizados por estudantes, em Londrina, na semana passada. No final de semana, técnicos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) apuraram que ônibus e carros utilizados para transportar estudantes secundaristas para o Terminal, para realizar manifestações, tinham placas de cidades de Minas Gerais (Juiz de Fora) e São Paulo (Praia Grande).
Segundo Wilson Sella, presidente da CMTU, todas as placas destes veículos eram frias. ''Isso indica que existem pessoas tentando se aproveitar da polêmica em torno do reajuste'', disse ele. Sella também afirmou ontem que a Companhia recebeu informações de que perueiros estariam tentando fazer linhas na cidade. Além disso, muitos mototaxistas irregulares teriam começado a atuar nas ruas nos últimos dias, incentivados pela movimentação.
''Vamos intensificar a fiscalização nas ruas. No caso dos perueiros, não podemos deixá-los se estabelecer porque em qualquer lugar que eles entram vira o caos. Como em São Paulo, por exemplo'', criticou Sella. Desde o protesto no Terminal, na última sexta-feira, quando um jovem de 21 anos foi atropelado e dois ônibus foram apedrejados pelos manifestantes, começaram a circular boatos de que políticos estariam insuflando manifestações com objetivos eleitorais.
Ontem à tarde, o prefeito Nedson Micheleti (PT) deu uma entrevista coletiva sobre a polêmica do transporte e disse que acredita que as investigações da Polícia Civil irão apontar se há alguém por trás dos protestos. ''Não recebi nenhum nome de suspeitos. Se houver algum interesse político (nas manifestações), será apontado'', disse ele.
Nedson voltou a defender ontem que a possibilidade de nova licitação para o transporte coletivo, que deve ser realizada até o final de 2003 após anos de briga judicial com a empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), deve significar uma esperança de melhoria do serviço na cidade. ''Iremos discutir seriamente a opção do sistema informatizado, que possibilitará maior controle dos passes, diminuirá o movimento nos terminais e até poderá viabilizar o passe livre'', defendeu o prefeito.
Hoje, estudantes fazem outro protesto contra o aumento da tarifa (veja na página 2). Nedson adiantou que não recepcionará o grupo ficará o dia todo acompanhando a situação de sua esposa, que está com problemas de saúde. Wilson Sella e o procurador da prefeitura, Carlos Scalassara, receberão os manifestantes. A passagem subiu, no dia 1º de junho, de R$ 1,35 para R$ 1,60.
O promotor de Defesa dos Direitos do Consumidor, Miguel Jorge Sogaiar, informou ontem que entrará nos próximos dias com agravo de instrumento no Tribunal de Justiça (TJ) contra a decisão do juiz substituto Álvaro Rodrigues Júnior, que na sexta-feira indeferiu pedido de liminar que pedia o cancelamento do reajuste da tarifa. Anderson Amaurílio da Silva, o deficiente visual e mental de 21 anos atropelado no tumulto da semana passada, segue em observação na UTI da Santa Casa, em estado grave. (Leia mais sobre o reajuste do ônibus na página 2)

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