Carros alienados são vendidos ilegalmente
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terça-feira, 03 de outubro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Sindicância do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) descobriu um novo golpe envolvendo a liberação de carros alienados no Paraná. A alienação é uma garantia dos bancos para que o beneficiado por um empréstimo pague o que deve. Quando consegue fazer o desbloqueio do carro nos registros do Detran, o estelionatário, que usa documentos falsificados, deixa de pagar o financiamento, o carro é comercializado novamente e os bancos ficam com o prejuízo.
Os golpes se concentram na região de Maringá, Londrina, Altônia e Paranavaí. Quarenta e dois casos são investigados desde o mês de abril deste ano. Suspeita-se que pelo menos nove pessoas estejam por trás do esquema. Seus nomes e profissões não foram revelados. O assessor-executivo do Detran, Francisco Andreatta, antecipa apenas que ninguém do departamento está envolvido. Ele também disse não ter uma estimativa do valor que as fraudes possam ter causado para as instituições financeiras.
Andreatta diz que a quadrilha consegue reproduzir com perfeição as cartas de liberação do veículo alienado. De acordo com um trâmite normal, os bancos só podem emitir esta carta para o dono do carro financiado quando ele quitar o valor do empréstimo. Em seguida, o documento deve ser apresentado no Detran para que o veículo seja excluído da relação de carros alienados e passe para o nome do seu proprietário.
Como os funcionários não conseguem diferenciar uma carta fraudada de uma legítima, o golpe se consuma. O Detran não tem como identificar se a carta de liberação é verdadeira ou falsa. O esquema deles para falsificar é muito bem feito. Na verdade, trata-se de uma fraude praticada por uma quadrilha de estelionatários que lesa bancos, afirma Andreatta. No entanto, os fraudadores cometeram um deslize, acrescenta o assessor. O nome verdadeiro de um deles foi usado no golpe. Por meio da descoberta, o Detran quer identificar todos os responsáveis pelo esquema de falsificação.
Uma das pessoas falsificou mal os documentos e pôs o seu próprio endereço, diz o assessor do Detran. Depois de concluir a investigação interna, que deverá ocorrer ainda no mês de outubro, segundo Andreatta, o caso vai ser levado ao conhecimento do Ministério Público. Os promotores devem pedir a abertura de inquérito policial para apurar os crimes.


