Na terça-feira da semana passada, chamou a atenção a presença de quatro cavalos no pátio da 10 Subdivisão Policial (SDP), localizada na Rua Sergipe, uma das vias mais movimentadas do centro de Londrina. Na ocasião, suspeitos de pertencerem a uma quadrilha especializada em furto de cavalos foram detidos dois dos animais tinham sido levados de uma propriedade do Distrito de Lerroville (Zona Sul) e outros dois haviam sido furtados em Tamarana (62 km ao sul de Londrina).
A cena inusitada suscitou questões sobre se os furtos de cavalos na região de Londrina estão aumentando. A Polícia Civil defende que não, embora não tenha números: o delegado-chefe da 10 Subdivisão, Jurandir Gonçalves André, alega que não é possível mensurar a quantidade de furtos de cavalos porque o setor de estatísticas não diferencia produtos de roubo em seus levantamentos. A Polícia Militar (PM) também não tem números sobre o assunto.
''Esse tipo de crime acontece mais na região urbana e é comum. Mas não acho que as ocorrências do tipo venham aumentando nem que a situação esteja alarmante. Acho até que (os furtos de cavalos) estão diminuindo'', afirma o delegado-adjunto da 10 SDP, Jorge Barbosa. Carroceiros, jardineiros e outros trabalhadores informais que dependem dos equinos para sustentar suas famílias discordam.
''Pelo que eu ouço, continuam acontecendo muitos (furtos). Do pessoal que eu conheço que trabalha com cavalo, todo mundo vem reclamando'', pondera Jair Moreira de Brito, que trabalha há dois anos como carroceiro ao lado da esposa, Sandra Regina Ribeiro. Eles tiveram o cavalo roubado no final do ano passado, mas conseguiram recuperá-lo.
O carroceiro Walter Aparecido dos Santos, morador do Parque Ouro Branco (Zona Sul), relata que oito cavalos seus já foram furtados ou desapareceram. A única vez em que ele recuperou um animal foi quando o encontrou no galpão da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). ''Furto sempre acontece. Eu deixo o cavalo num terreno, à noite acordo duas, três vezes pra ver se ele ainda está lá. Mas sempre dão um jeito de levar'', desabafa.
Em seu trabalho, Santos tira aproximadamente R$ 250 por mês. É praticamente o único sustento da família, composta pelo carroceiro, sua mãe, três irmãos e uma sobrinha. O adolescente R., 15 anos, colabora mensalmente com cerca de R$ 30 para o orçamento da família, moradora do Jardim São Jorge (Zona Norte), fazendo fretes com a égua Boneca. O animal ostenta um número digno de Guinness: o jovem calcula que a égua já foi furtada ''pelo menos'' 20 vezes.
''Sempre que roubam, eu vou atrás. Pego emprestado o cavalo de um amigo, rodo a cidade. O lugar mais longe onde a encontrei foi na Warta (distrito da Zona Norte)'', diz o adolescente.

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