Carroceiro é uma profissão em extinção
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quarta-feira, 14 de abril de 2004
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Londrina, mesmo tendo quase meio milhão de habitantes, ainda reserva espaço para símbolos de seu passado, como as carroças. Um meio de condução rural, tracionado por um ou mais cavalos, que ao longo do tempo vem desaparecendo em meio ao desenvolvimento das grandes cidades. Um único ponto, no centro de Londrina, que chegou a ter mais de 60 carroceiros, hoje conta com somente dois ''profissionais'' disputando os carretos.
José Porfírio Costa, 81 anos, trabalha há mais de 40 anos como carroceiro. As muitas viagens por ruas e bairros de Londrina lhe permitiram educar 11 filhos. ''Todos com muita saúde, graças a Deus'', ressaltou. Ele lembrou com saudosismo dos tempos que não havia camionetes e caçambas para ''roubar'' o serviço. Segundo ele, antigamente, o transporte de entulhos, de móveis e de outros bens era feito somente pelas carroças. ''A gente fazia mudanças inteiras em uma carroça'', recordou.
Seu companheiro de ponto na esquina das ruas Benjamin Constant e Mato Grosso, José Ivo Roncaglio, 55 anos, disse que, mesmo em meio às dificuldades, ainda conseguem ganhar em torno de R$ 300,00 por mês. Para se manter na profissão, ele conta com alguns clientes fiéis. E para não perder carretos, os dois utilizam um telefone público instalado em frente ao ponto.
Sobre os antigos companheiros que chegaram a 60, quando o ponto ficava no atual Posto de Saúde José Belinati, Roncaglio afirmou que a maioria morreu e outros se aposentaram. ''Meu pai e meu irmão, já falecidos, também trabalhavam com carroças'', esclareceu o carroceiro que está há 13 anos na profissão.
Roncaglio e Porfírio garantem que nunca estiveram envolvidos em acidentes de trânsito. Eles observam que, antigamente, era mais fácil transitar pelas ruas de Londrina. Os carroceiros garantem que o segredo para evitar problemas é respeitas as leis de trânsito. ''Não andamos na contramão e paramos quando o sinal está fechado. Na verdade, os cavalos já conhecem todos sinaleiros'', brincou Roncaglio.
Uma particularidade que os dois reconheceram não saber é que o transporte com carroças está inserido no Código de Trânsito Brasileiro. Mais surpreendidos ficaram ao ser informados de que veículos maiores, como caminhões, ônibus e carros, devem dar preferência na disputa por um espaço nas ruas.
O diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Alvaro Grotti Júnior, observou que os carroceiros também têm suas obrigações, como andar pela direita e respeitar os pedestres, como os demais veículos. Ele comentou que não existe nenhuma legislação municipal que trate das carroças. Por isso, também não existe um cadastro. ''Podemos orientar, mas não punir. Para isso, as carroças teriam que possuir placas'', completou.
Grotti acrescentou que a pequena quantidade de carroças que permanecem nas ruas faz acreditar que esta é uma profissão em extinção. A inexistência de acidentes envolvendo carroças, segundo ele, é uma prova da redução desse tipo de veículo nas ruas. ''Londrina não é uma cidade com características para continuar tendo carroças em seu trânsito'', pontuou.


