Proprietário de um voyage, Marcos Aparecido Surman reprovou em três exames psicotécnicos antes de conseguir a habilitação. ''Só passei no exame porque autorizaram a presença da intérprete'', contou ele, que gosta de viajar e precisava da carteira de motorista para se locomover de casa para o trabalho.
Feliz por ter obtido o direito de dirigir, ele inclusive instalou um som em seu autómovel, o que torna ainda mais prazerosos os momentos no controle da direção. ''Gostava da sensação provocada pela vibração do som no carro dos meus amigos. Aí resolvi comprar um equipamento para mim'', contou.
A auxiliar de produção Gislaine Pereira da Silva se habilitou para dirigir motos e está praticando para conseguir o documento para carro. Apesar de não ter automóvel próprio, ela tinha muita vontade de aprender a dirigir e já planeja comprar um carro para passear e facilitar o cotidiano da família. ''Também penso no futuro. Um dia terei filhos e os levarei para a escola''.
A vontade de dirigir também levou Sônia Regina de Souza a procurar os serviços da auto-escola. ''Estou juntando dinheiro para comprar um carro'', afirma ela, que ainda está na fase teórica do curso e acredita que a ansiedade por finalmente pilotar um carro é que lhe dá a força de vontade necessária para superar toda a dificuldade de comunicação que atrapalha o aprendizado.
O chefe da Ciretran em Londrina, Kenji Miyazaki, explicou que os surdos são a única categoria de candidatos à habilitação que podem utilizar intérpretes para fazer as aulas e realizar os exames. ''Um estrangeiro não pode contar com a ajuda de um tradutor'', comparou. A concessão deve-se ao fato de muitas palavras não terem tradução em libras. ''Hidrante, por exemplo, não existe na linguagem dos sinais. O intérprete precisa explicar o sentido da palavra''.
Para acompanhar os exames, o Detran do Paraná solicita a presença de um intérprete da Federação Nacional de Integração dos Surdos. Fora isso, a carteira de habilitação dos surdos possui um código explicando essa condição. A legislação exige também que o carro tenha os dois retrovisores laterais. ''Essas são as únicas diferenças com relação aos motoristas ouvintes. Não há necessidade de placas diferenciadas ou adesivos'', afirmou Miyasaki. (C.A)

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