Carro atropela e mata ciclista no Conjunto Ernani Moura Lima
A doméstica Elizabeth de Souza Queiróz, 25 anos, morreu ontem depois de ser atropelada pela perua Kombi (placa AFV-2492) conduzida pelo vendedor Paulo César dos Santos. O acidente ocorreu às 10h15 na esquina da Rua Odília Alves Pedra, onde morava a vítima, com a Rachid Scaff, no Conjunto Ernani Moura Lima, zona leste de Londrina. Santos - que havia acabado de fazer uma entrega a menos de uma quadra do acidente - descia pela Rachid Scaff, na preferencial, e acabou atingindo Elizabeth, que trafegava de bicicleta pela Olídia Pedra e não parou no cruzamento.
Depois do choque com a bicicleta, a perua Kombi perdeu o controle e acabou invadindo o quintal da casa de Onofre Medeiros Cabral, 57 anos. Eu estava dentro de casa, trançando uma rede (de pesca), quando escutei o estouro. Fiquei assustado e, quando saí, a Kombi já estava dentro do quintal e a menina estava caída lá na rua, diz Onofre. Ele era vizinho da vítima. Conhecia a moça. Era gente boa.
Elizabeth Queiróz era separada, tinha dois filhos - de dois e quatro anos -, e vivia com os pais Aristides Nunes de Queiróz, 73 anos, e Idalina Souza Queiroz, 66. Eu estou doente e ela tomava conta da gente, comprava remédio. Tinha comprado a bicicleta há menos de um mês e ia trabalhar com ela, disse o pai, emocionado. Acho que esse acidente foi erro do motorista e também da prefeitura, que não coloca quebra-molas na rua. Aqui tem sempre acidentes, afirma a irmã da vítima, Maria Queiróz de Oliveira, 44 anos.
A cena do acidente - a vítima caída no asfalto, o desespero da família, a perua na casa do vizinho, o muro derrubado, o cordão de isolamento da Polícia Militar (PM), os moradores em volta, as viaturas policiais e o veículo do Instituto Médico Legal (IML) - acabou ganhando ainda mais dramaticidade com a demora do Instituto de Criminalística (IC). O IC só chegou ao local, para fazer os levantamentos técnicos e liberar o corpo, quase duas horas depois do acidente.
Assim como os policiais militares, o delegado Walter Lemos, da Delegacia de Trânsito, também ficou visivelmente irritado com a demora da Criminalística. Ele chegou a ligar para o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, para reclamar. O perito José Denílson se justificou dizendo que a equipe de plantão do instituto estava fazendo outra perícia na hora do acidente.
Paulo César dos Santos - que responderá inquérito policial - foi interrogado ontem na Delegacia de Trânsito e liberado. A investigação vai avaliar se ele teve ou não culpa pelo acidente e, portanto, se ele vai ou não ser indiciado por homicídio culposo.Mario CesarDorA mãe de Elizabeth, dona Idalina, amparada por policiais; doméstica morava com os paisLúcio Horta





