Carro apreendido é alvo de investigação
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quarta-feira, 13 de abril de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina levantou que um dos sete veículos Golf encontrados anteontem na residência de Valter Elias Sobrinho, no Parque Universitário (Zona Oeste), já havia sido apreendido pelo 3º Distrito Policial (DP). O promotor Cláudio Esteves afirmou que a PIC ainda estava investigando o motivo pelo qual o carro não se encontrava em poder da polícia ou da Justiça.
O veículo é objeto de um inquérito aberto em 2003 e, de acordo com Esteves, teria sido apreendido por estar com as numerações adulteradas. Segundo o promotor, o carro estaria registrado em nome de uma mulher em Cambará (22 km a Noroeste de Jacarezinho), mas são os nomes de outras três pessoas que constam do inquérito. Uma delas, o próprio Valter Sobrinho.
O delegado do 3º DP, Valdir Fernandes, declarou que ''por falta de espaço no pátio do distrito'', Sobrinho foi nomeado depositário judicial. ''Ele foi autorizado a guardar o veículo na garagem da casa dele, mas não poderia colocá-lo em circulação.'' Embora o inquérito ainda não tenha sido concluído, Fernandes sustentou que nenhuma irregularidade foi constatada. ''O carro é um protótipo (fabricado artesanalmente) e não tinha nada adulterado. Foi apreendido porque não tinha documentação.''
A explicação do delegado conflita com as normas do Denatran. ''Não são reconhecidos como protótipos os veículos que utilizam carrocerias já homologadas em série'', esclareceu o coordenador de veículos do Detran-PR, Cícero da Silva. Ou seja, um carro fabricado artesanalmente não pode se assemelhar a outro já existente no mercado. O carro investigado pelo 3º DP e os demais 25 apreendidos pela PIC têm todas as características de um Golf.
De acordo com Esteves, o próprio dono dos carros apresentou documentos comprovando que os adquiriu já montados em um leilão da Volkswagen, e que teria autorização para revertê-los em protótipos. ''Chama a atenção que seja um número expressivo de veículos, e todos importados. Estamos avaliando a legalidade dos mesmos.'' Adquiridos a título de sucata, os carros não poderiam ser revendidos como estavam - somente suas peças poderiam ser usadas.
O promotor disse que foram encontrados indícios de irregularidades nos veículos periciados, como componentes lixados e adulterados. Outra informação que está sendo checada é de que vários outros carros na mesma situação já teriam sido vendidos por Sobrinho.
Na operação de anteontem, além dos sete carros encontrados na casa do empresário, 19 carcaças foram apreendidas em um galpão. A reportagem da Folha apurou junto ao Detran que Sobrinho não tinha registro no órgão para manter um desmanche ou comércio de peças. Anteontem, o advogado de Sobrinho alegou que seu cliente não havia cometido crime algum.


