Kraw PenasJair Mendes Francisco: ‘‘Depósitos ficam com boa parte do lucro’’Os 3,5 mil carrinheiros que dependem da venda de material reciclável recolhido nas ruas para o sustento da família levam a vida sendo explorados pelos atravessadores, que pagam pouco pelo produto de um dia de trabalho duro. Para piorar a situação dessas pessoas, a concorrência tem aumentado o número de chefes de família que têm encontrado nessa atividade a única alternativa para o sustento do lar.
Essa é a realidade do presidente da Cooperativa dos Carrinheiros de Curitiba, Jair Mendes Francisco, de 61 anos, vigia noturno desempregado. Francisco, que empurra seu carrinho por cerca de nove quilômetros todo dia, constata que o volume recolhido está caindo. Ele trabalha como carrinheiro há nove anos e já fez ‘‘freguesia’’ (pessoas que guardam o material que lhe garante uma renda mensal de cerca de R$ 700,00). ‘‘O problema é para quem está começando agora, que sofre para conseguir papelão e não conseguem mais do que R$ 200,00 por mês’’, afirma.
A rotina de Francisco não é moleza. Ele acorda às 4 horas e vai para a rua empurrar o carrinho, que chega a pesar 250 quilos quando está cheio. ‘‘O pior é, depois de tudo, entregar o material para os depósitos, que ficam com boa parte do lucro’’, desabafa.
Para mudar a situação, os carrinheiros criaram uma cooperativa, que já está com a sede alugada em plena reforma. ‘‘No nosso barracão vamos selecionar o material e garantir um ganho 100% maior que o que temos hoje’’, prevê. Atualmente a entidade tem 28 sócios. As metas são chegar a 200 associados, criar entrepostos para recolhimento de material em diversos pontos da cidade e eliminar os atravessadores. ‘‘Em fevereiro estaremos funcionando para arrumar a vida do carrinheiro’’, anima-se. (G.V.)

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