Curitiba - Cerca de 50 catadores de material reciclável de Curitiba se reuniram ontem na Boca Maldita, no centro da cidade, para uma manifestação, que coincindiu com o Dia Internacional dos Direitos Humanos. À tarde, os carrinheiros se dirigiram em passeata até o Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, onde pretendiam entregar ao governador eleito Roberto Requião (PMDB) uma carta com as reivindicações dos trabalhadores. Eles pedem, principalmente, a inclusão dos catadores de papel nos programas de coleta seletiva do município e, também, na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que está sendo discutida na Câmara Federal.
  O Dia Nacional de Mobilização dos Catadores de Material Reciclável foi criado pela Comissão Nacional do Movimento dos Catadores, eleita no 1º Congresso Nacional de Catadores, realizado em Brasília, em junho do ano passado. As manifestações, ontem, aconteceram, simultaneamente, em capitais e grandes cidades de outros estados.
  Em Curitiba, além do ato público, os catadores participaram de um concurso de originalidade, que ofereceu prêmios em dinheiro e cestas básicas para os candidatos que apresentaram seus carrinhos decorados com material reciclável.
  A busca pelo reconhecimento como trabalhadores vem motivando os catadores a se organizarem em cooperativas ou grupos de trabalho. O Centro de Apoio ao Trabalho Integrado (Cati) é um exemplo dessa iniciativa. O grupo de ‘‘recicladores autônomos’’ – como se intitulam – ainda é pequeno (seis pessoas), mas quer conquistar novos adeptos. Eles alugaram um barracão e dispõem de toda a infra-estrutura para a coleta e separação dos materiais. A idéia é ficar livre dos ‘‘atravessadores’’ que, em muitos casos, acabam lucrando em cima dos catadores, que fazem o trabalho pesado.

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