Carrinheiros levam até 300 kg no braço
Além dos mais de 500 recicladores de Londrina há ainda outros tantos que perambulam sozinhos pela cidade, enfrentando o trânsito e fuçando o lixo em busca de qualquer coisa que possa ser reaproveitada. São os chamados carrinheiros, que chegam a transportar até 300 kg de material por dia apenas com a força dos braços.
''Baiano'' de Itabaiana, no Sergipe, o aposentado José Laurentino de Matos, 67, virou carrinheiro há mais de 10 anos, logo após deixar o emprego na extinta Frente de Trabalho da Prefeitura. ''Faço carga na frente e atrás, e na descida, vou com calma porque se embalar já era'', explica. Até há algumas semanas seo ''Zé da Ama'', como é mais conhecido, não tinha medo de nada. Mas após ser atropelado ficou mais esperto com o trânsito. ''Tem gente que não respeita'', argumenta.
Trabalhando 10 horas diárias, cinco dias por semana, ele consegue cerca de R$ 400 mensais. A renda complementa o salário mínimo que recebe de aposentadoria. ''Sou feliz porque, graças a Deus, tenho um trabalho.''
Feliz também é a carrinheira Lourdes Maria do Carmos, 50. Ela, que já passou fome e dormiu ao relento, fala com orgulho que o lixo reciclado deu a chance de criar os filhos com dignidade. ''A coisa que mais dói na vida é a fome, e trabalhando a gente consegue tudo nesta vida'', observa. Ela enfrenta o serviço todo santo dia junto com a filha. ''É pesado e cansativo mas compensa.'' (L.A.)





