Paulo Pegoraro
de Cascavel
O Ministério Público de Cascavel revelou ontem a adulteração do chassi e placa da carreta que teria sido roubada São Paulo e que foi apreendida pela polícia numa autopeças de Cascavel. O desmanche pertence ao empresário e piloto de Fórmula Truck, Sidney Alves. A denúncia tem base em laudos de perícia. Além de Alves, que teve a prisão preventiva decretada e está foragido, o MP vai denunciar mais envolvidos, que não tiveram os nomes revelados.
O laudo, expedido por peritos de Umuarama, era necessário para os promotores darem andamento ao caso, com a formalização de mais denúncias. As investigações foram iniciadas no final de março, quando o MP recebeu carta anônima com a denúncia de que uma carreta havia sido roubada em São Paulo, apreendida em uma borracharia em Cascavel por policiais, a pedido do delegado Manoel Pelisson, e depois levada para a empresa de Sidney Alves.
A carta indicou que o delegado Manoel Pelisson teria repassado a carreta para Alves, recebendo R$ 20 mil, e foi acompanhada de fotos mostrando que durante dois dias ela permaneceu estacionada perto da delegacia. Pelisson afirma que houve apenas a ‘‘recuperação’’ de uma carreta que estava ‘‘abandonada’’ na borracharia, e a seguir ela foi entregue ao proprietário por não haver na ocasião registro de roubo.
O promotor Carlos Choinski, um dos que atuam no caso, disse ontem que os peritos não conseguiram identificar a numeração original do chassi, por causa da raspagem nele existente, mas a comprovação de que foi adulterado se associa à constatação de que teve placas trocadas.A empresa de Sidney Alves comprou placas (que seriam frias) em uma fábrica de Cascavel, usando cópias de documentação da carreta. ‘‘Além disto, sabemos com certeza o caminho por ela percorrido, entre a borracharia e a empresa’’, afirmou Choinski, acrescentando que ‘‘agora vamos apenas estabelecer o tipo de envolvimento de cada um’’.
Manoel Pelisson já foi ouvido pelos promotores, assim como testemunhas do MP, dois investigadores, funcionários da empresa de Alves, um despachante e o fabricante das placas. Além deles, também já foram ouvidos peritos de Cascavel, aos quais Pelisson não solicitou perícia na carreta, alegando não ser necessária a providência, por não haver registro de roubo na ocasião em que foi localizada.

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