Londrina
O caminhão Volvo EDC branco, placas AMF-9696, ano 1996, da transportadora Nelson Ferreira, de Ponta Grossa, foi roubado anteontem, por volta das 8 horas, próximo ao trevo da PR-445 com a BR-369, que separa as cidades de Londrina e Cambé. A carreta, com 18 metros de comprimento por 4,2 metros de altura, estava lotada com cigarros da Souza Cruz e seguia de Uberlândia, Minas Gerais, para Cascavel, no Oeste do Estado. O valor do veículo é de aproximadamente US$ 100 mil.
O motorista Antônio Francisco Krause, 45 anos, conta que no domingo saiu de Uberlândia em comboio com outro caminhão e chegou a Londrina, no posto Formigão (PR-445), por volta das 17 horas. Na manhã da segunda-feira, o colega foi descarregar a carga em Londrina e ele seguia viagem para Cascavel, acompanhado por um carro com dois seguranças.
Segundo Krause, quando entrava na BR-369, um automóvel Santana preto, com quatro pessoas, emparelhou com o caminhão, mostrou uma espingarda e mandou que ele encostasse. Assim que parou o caminhão no acostamento, chegou outro veículo, uma caminhonete Ranger azul clara, também com quatro pessoas. Além da espingarda, ele ainda viu nas mãos dos assaltantes pelo menos mais duas pistolas semi-automáticas. ‘‘Dois deles (um alto e outro baixo, os dois morenos claros com cabelo curto) me colocaram no Santana e partiram para a Castelo Branco. A partir daí não vi mais o caminhão’’, diz.
Por volta das 11h30, quando faltava um quilômetro para chegar a Itatinga (200 quilômetros de São Paulo), Krause foi solto. O motorista diz que os assaltantes carregavam dois telefones celulares e que no caminho receberam duas chamadas e também fizeram outras duas. ‘‘O som do carro estava muito alto e não deu para ouvir o que eles disseram, só que estava ‘tudo bem’. Me disseram também que se desse algo errado eles me matavam.’’
Em mais de 20 anos trabalhando como motorista, essa foi a primeira vez que Krause sofreu um assalto. ‘‘Foi um susto incrível, principalmente na hora do assalto. Eles estavam apavorados. Depois, no carro, ficaram calmos.’’ Ele prestou queixa na delegacia de Itatinga e ontem já estava de volta à sede da empresa, em Ponta Grossa.
Os dois seguranças que seguiam viagem junto com o caminhão, Edvar Alves de Lira e Alício Dias Pereira, também foram interceptados pelos assaltantes na saída de Londrina. Eles acompanhavam a carreta com um automóvel Fiat, placas CIE-9614, quando uma caminhonete prata (não souberam identificar a marca) começou a tocar o veículo por trás, forçando a ida para o acostamento.
Dois dos assaltantes tomaram a direção do Fiat, que foi abandonado cerca de três quilômetros à frente. Os seguranças então foram colocados num automóvel Polo e deixados em Cambará por volta das 13 horas. ‘‘Eles estavam bastante nervosos. Toda vez que a gente olhava para eles, diziam para a gente abaixar a cabeça’’, apontou Alício Pereira, que ontem estava em Londrina tentando identificar - sem sucesso - os assaltantes pelo arquivo de fotos da Polícia Civil.
O delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Acácio de Azevedo, disse que até ontem a polícia ainda não tinha pistas sobre o paradeiro do caminhão Volvo. Apenas o automóvel Fiat, utilizado pelos seguranças, foi encontrado próximo a Cambé. Ele agora pretende ouvir o motorista Antônio Francisco Krause para dar continuidade às investigações.
Ainda segundo o delegado, a quadrilha pode ser a mesma que foi perseguida e trocou tiros com a polícia há cerca de um mês, em Sertanópolis, quando dois policiais ficaram feridos e dois assaltantes foram presos.

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